Curitiba - Os debates sobre o pedágio na Assembléia ontem comprovaram uma coisa: o primeiro escalão do governo Requião e sua bancada de apoio na Assembléia ainda têm no ex-governador Jaime Lerner (PSB) o alvo preferencial de seus ataques, mesmo dois anos após o pessebista ter deixado o governo. A mira da artilharia causa espanto, uma vez que todas as discussões nos bastidores da Assembléia apontem para uma disputa entre Requião e o senador Osmar Dias (PDT) pelo governo estadual em 2006.
Mesmo com Lerner tendo mudado seu domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro, o foco das críticas da bancada governista ainda é a herança deixada pelo ex-governador e os projetos defendidos pelos seus ex-líderes de governo Durval Amaral (PFL) e Valdir Rossoni (PSDB). O deputado Augustinho Zucchi (PDT) resumiu a situação ontem: ''Enquanto uma banda tem que explicar por que criou o pedágio, a outra tem que explicar por que não consegue baixar as tarifas. E nós que apoiamos do Osmar só acompanhamos o tiroteio'', comentou Zucchi.
O comentário de Zucchi mostra que apesar de ainda faltarem quase dois anos para as eleições de 2006, a sucessão de Requião já começa a monopolizar as discussões internas dos partidos. Ontem, por exemplo, PFL e PMDB reuniram-se para analisar o panorama político. ''Não é ainda a hora de lançar candidatos, mas temos que começar a analisar o quadro desde já. Temos que ficar de olho nas alterações da legislação em Brasília, como a verticalização, que podem alterar toda a política de alianças ainda este ano'', lembrou Elio Rusch (PFL). (R.S.)

mockup