Jamais o governador Jaime Lerner e o secretário da Comunicação, Rafael Greca, vão admitir, mas a publicação pela ''Folha de S.Paulo'' de matéria de duas páginas contendo denúncia de caixa 2 na campanha de Cassio Taniguchi teve gostinho de vingança, mesmo que involuntária. Um ano antes, Lerner e Greca tinham suas participações vetadas na campanha pela reeleição.

Os marqueteiros de Cassio acharam por bem deixar o governador e o secretário, que já foi ministro do Esporte e Turismo, longe das peças publicitárias. O avanço do PT, que conseguiu levar a disputa para o segundo turno, poderia aumentar com a presença dos dois, vistos pelo comando de campanha do prefeito como imagens desgastadas junto à opinião pública.

Lerner e Greca mantêm silêncio sobre a nova crise. Em tese, o desgaste de Cassio fortalece Greca, o único que restou ao lado do governador com condições de se impor como candidato. Greca não goza da simpatia do PFL, como um todo, mas diante da fragilidade do prefeito pode conquistar os apoios que necessita para tornar-se o candidato.

Lerner não gosta de falar em público de suas brigas com o prefeito. Quando do seu afastamento da campanha de Cassio, por ordem dos marqueteiros, o governador não transpirou desavença. Dias depois, entretanto, Lerner demitiu secretários de Estado emprestados para a campanha e que respaldaram a orientação. O apoio público do governador, em favor de Cassio, no caso do caixa 2, deve demorar. Lerner viaja terça para os EUA. Vai conhecer o neto recém-nascido. (L.D)

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