Arquivo FolhaMissão amargaLerner: depois do desgaste provocado pelo veto do PSDB, desafio agora é enfrentar BrizolaO governador Jaime Lerner e o presidente de honra do PDT, Leonel Brizola, encontram-se amanhã, no Rio de Janeiro, para o que se supõe, uma conversa derradeira de dois aliados. O governador desembarca no Rio com a árdua missão de explicar sua intenção de deixar o PDT e a ‘novela’ que protagoniza no Paraná sobre seu futuro partidário, emperrada agora com o veto que recebeu do diretório regional do PSDB.
Esta será a primeira vez que Lerner e Brizola se encontram depois de quase dois meses de especulações sobre o futuro partidário do governador. A cúpula pedetista está ressentida com o silêncio do governador, que em momento algum comunicou sua intenção de deixar o PDT e se filiar num partido aliado do presidente Fernando Henrique Cardoso.
A assessoria de Brizola, no Rio, não soube informar ontem à Folha se a reunião de Lerner e Brizola será reservada aos dois. Segundo assessores do ex-governador, a conversa pode ser ampliada para alguns integrantes da executiva nacional que estariam descontentes com o comportamento do governador do Paraná nesse processo.
O tesoureiro do PDT, Carlos Lupe, defende que a conversa seja aberta à executiva nacional. ‘‘Estamos nos sentindo como marido traído que não conseguiu levar a sua mulher para a cama’’, comparou. Lupe diz ainda que a cúpula do PDT tomou conhecimento do veto do PSDB já na terça-feira. ‘‘Mas queremos conhecer esta história com detalhes’’, antecipou.
O Palácio Iguaçu confirmava ontem a ida de Lerner ao Rio de Janeiro. O governador, que passou parte do dia de ontem tratando de questões administrativas que podem culminar em outra ‘novela’ - a tão prometida mini-reforma administrativa de seu secretariado -, também fez contatos políticos. Apesar de garantir que já sabe que caminho vai seguir, o governador ainda estaria debruçado nas costuras de seu futuro partidário.
O recurso ajuizado ontem pelos tucanos ‘lerneristas’ junto ao presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho, pedindo a anulação da votação da madrugada de terça-feira - que pode ser analisada nas próximas horas pela executiva nacional - não empolgou o Palácio Iguaçu. A leitura no local é de ‘‘questão é irreversível’’ e que o momento agora é de contornar a crise instaurada na cúpula do PDT e anunciar a decisão que já teria sido tomada.

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