Lerner e Assembléia preferem manter silêncio sobre caso
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terça-feira, 09 de maio de 2000
Valmir Denardin De Curitiba 
O governador Jaime Lerner (PFL) manteve ontem a decisão de não comentar o envolvimento de sua vice, Emília Belinati (PTB), nas denúncias de desvio de recursos da Prefeitura de Londrina. Procurado pela Folha desde a segunda-feira, quando o Ministério Público de Londrina decidiu divulgar a decisão da medida cautelar, Lerner mandou seu porta-voz dizer que não se pronuncia sobre assuntos que estão na Justiça.
A mesma atitude foi adotada pelo presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PTB), em relação ao deputado Antonio Carlos Belinati (PSB) que, como a mãe, teve a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico e a indisponibilidade de bens pedidas à Justiça. Procurado pela reportagem, Justus não retornou a ligação.
O estouro do escândalo em Londrina aparentemente assustou a Assembléia, a julgar pela atitude de seus integrantes. Os deputados Hermas Brandão (PTB) e Augustinho Zucchi (PSDB), por exemplo, também não retornaram as ligações. Eles integram, com Justus, a Comissão Executiva da Assembléia. É essa comissão que vai avaliar um eventual pedido de licença para que seja aberto processo contra Antonio Carlos.
Emília e Antônio Carlos adotaram a mesma tática. Por meio de sua assessoria, a vice-governadora, que na segunda-feira emitiu uma declaração, reafirmou que só vai dar entrevista depois que seu advogado, Osman de Santa Cruz Arruda, ler o pedido de medida cautelar apresentado anteontem pelo Ministério Público, que tem 300 páginas. O advogado estava viajando ontem de Curitiba para Londrina para iniciar essa leitura.
Antônio Carlos Belinati não foi encontrado ontem à tarde em seu gabinete na Assembléia nem em outro lugar, em Curitiba ou Londrina. Segundo assessores, ele estava em reunião, em outro local. Prometeram que o deputado telefonaria à Folha, o que não ocorreu até as 20h30.


