A reabertura das sessões na Assembléia Legislativa, ontem à tarde, em Curitiba, foi marcada por críticas ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). O governador Jaime Lerner (PFL) e o presidente da Casa, Aníbal Khury (PFL), manifestaram em seus discursos descontentamento com a postura adotada pelo governador mineiro, que já avisou que não vai à reunião convocada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para essa sexta-feira, dia 26, em Brasília.
‘‘Vamos acabar de vez por todas com essa história de separar Estados. Todos são Estados da mesma Federação, e só com união vamos superar as dificuldades’’, afirmou o governador. Lerner disse que a briga entre o governo federal e os Estados ‘‘está tirando a paciência do povo’’. ‘‘Esse assunto está começando a cansar o povo brasileiro’’, reforçou o governador, que já havia sinalizado o seu descontentamento na chegada dos Estados Unidos ao Brasil, no último domingo pela manhã.
Lerner classificou a posição de Itamar Franco como ‘‘isolada’’ e que os demais governadores de oposição estão tomando consciência de que a pauta deve se ater a temas específicos e não a questões políticas sem fundamento. ‘‘Temos que resolver as coisas juntos. A desunião está refletindo nos Estados Unidos. Eu pude sentir isso de perto, durante a minha viagem. Há uma intranquilidade internacional em relação a essa posição de não honrar compromissos (a moratória)’, observou.
Lerner confirmou a sua presença na reunião convocada pelo presidente. O governador sinalizou qual será o tom de seu discurso no encontro. Ele voltou a defender ações na área social e o desapego à políticas exclusivamente monetaristas. ‘‘Nesse País é necessário pensar a partir das pessoas. Não resolve pensarmos somente a partir da moeda, isso não funciona’’, ponderou Lerner. Como tem feito em seus discursos, desde o final do ano passado, o governador frisou que a solução da crise financeira nacional passa pelo estancamento do déficit previdenciário acumulado nos últimos anos pelos Estados.
‘‘Todos sabem das turbulências que sacodem o País, grande parte delas consequência de um mundo globalizado, que está forjando uma economia implacável’’, declarou. ‘‘No entanto, senhores deputados, posso afirmar que o nosso Estado é um dos mais sólidos da Federação e, como tal, um dos que reúne as melhores condições para superar a crise’’, emendou, lembrando da vinda do presidente ao município de Piên, para a inauguração da Tafisa, marcada para essa quinta-feira. As críticas de Aníbal Khury a Itamar Franco também foram duras. ‘‘Nós não pregamos a desobediência civil, não propalamos a violência. É disso que o Paraná precisa, é disso que o Brasil necessita’’, afirmou. ‘‘Diz o ditado que mais vale acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão’’, discursou o presidente da Assembléia.
Khury disse ainda que o Paraná tem se beneficiado por essa abordagem positiva da crise interna, agravada com as posições do governo de Minas Gerais. ‘‘Ainda mais agora que, com a mudança na moeda oxigenamos o Real, dando ao Brasil condições de relançamento da atividade econômica; e que o advento do Mercosul situa o Paraná na esquina estratégica de um bloco continental que será a realidade do novo milênio’’, complementou o deputado.

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