Lerner diz que venda da Copel vai passar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2001
Maria Duarte e Carmem Murara De Curitiba 
O governador Jaime Lerner (PFL) amenizou ontem a resistência da bancada de oposição na Assembléia Legislativa à venda da Copel. Referindo-se ao fórum contra a privatização da estatal, criado na quarta-feira na AL, o governador disse que não vê revolta entre os deputados. Tenho certeza de que serão suficientemente esclarecidos para não se opor à venda, comentou Lerner, que participou de um evento na sede da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em Curitiba.
A bancada de oposição composta por 14 deputados quer revogar a Lei 12.355, que autoriza o governo do Estado a privatizar a companhia. Os deputados não se colocam contra a abertura de capital da empresa, mas não querem permitir que o controle acionário saia das mãos do Estado.
A empreitada já conta com o apoio de deputados da base governista, como Algaci Túlio (PTB) e Marcos Isfer (PFL), que pretendem votar contra a privatização. O líder do governo, Durval Amaral (PFL) não acredita que a bancada aliada vá votar contra a venda. Ele já avisou que vai fazer tudo o que estiver a seu alcance para frustrar os planos da oposição.
Para o governador, a desestatização do mercado elétrico nacional vai trazer tarifas menores para o consumidor, graças à competição entre as empresas privadas. Durante discurso, o governador disse que a desestatização da Copel vai encerrar um período em que o povo do Paraná deu muito de seu trabalho, com impostos, para garantir a geração, em nossos rios, da energia de que o País necessitava.
O secretário da Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hubert, defende que as empresas privadas serão mais competitivas por terem acesso mais fácil a financiamentos. Na quarta-feira, o fórum oficializou a exigência de que Hubert deixe o cargo.
O Palácio Iguaçu pretende vender a Copel ainda este ano. A oposição já arregaçou as mangas e está visitando o interior. O apoio da população será fundamental neste processo. Estamos trabalhando para conscientizar as pessoas que o Paraná vai sair perdendo com essa venda, declarou o líder da oposição, Orlando Pessuti (PMDB).
Está marcada para hoje, a partir das 9 horas, uma reunião do Fórum de Entidades contra a Privatização da Copel, no Plenarinho da Assembléia. O deputado José Maria Ferreira (PSDB) único tucano da oposição vai coordenar o encontro, que contará com a presença de representantes do Sindicato dos Advogados e Sindicato dos Engenheiros do Paraná. O tema principal é debater e viabilizar o mais rápido possível brechas jurídicas que permitam impedir a privatização. Vamos usar todas as armas de que dispomos, avisou o tucano.
Segundo ele, estão em andamento ações públicas, jurídicas, legislativas e políticas.
O deputado Caíto Quintana (PMDB) destaca que a Copel é um bem público, que nenhum governo tem o direito de alienar. É preciso defender um patrimônio de todos os paranaenses, os rios que devem ser racionalmente explorados em projetos que geram empregos e distribuição de renda.
O Estado é hoje o acionista majoritário da Copel, e detém 58,6% das ações ordinárias (que dão direito a voto). O BNDES tem 26,4%. Em bolsa, o percentual é de 13,2%. São mais de 2,8 milhões de consumidores (78,4% residencial, 10,2% rural e 8,6% comercial). Somente a Usina de Salto Caxias custou US$ 1 bilhão à Copel.
A Usina de Salto Segredo custou cerca de US$ 900 milhões. A estatal possui 18 usinas em operação. Pesquisa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostrou que a Copel tem o maior índice de satisfação dos consumidores das empresas concessionárias de energia de grande porte (com mais de 1 milhão de consumidores).


