O governador Jaime Lerner (PFL) cortou ontem as pretensões da sua base de sustentação na Assembléia Legislativa, ao declarar, em discurso público no Palácio Iguaçu, que não vai perseguir prefeitos da oposição. Os aliados querem que o governador não repasse recursos a fundo perdido para municípios onde os prefeitos são da oposição, injetando os recursos somente nas prefeituras da base aliada.
''Existem duas maneiras de fazer política. A antiga, que perseguia prefeitos, prejudicando o povo. E a outra, que nós trabalhamos, de fazer com que todos tenham condições de emprego e saúde'', declarou, durante solenidade de autorização para o início de licitações de obras em Curitiba.
Os recursos, do Fundo de Desenvolvimento Urbano (FDU), somam R$ 1,6 milhão e serão investidos na construção de uma unidade de saúde do bairro Pinheirinho e na restauração do edifício de uma antiga ótica Curitiba, considerado patrimônio cultural. O prefeito Cassio Taniguchi (PFL) participou da cerimônia.
Lerner disse que o pronunciamento não foi um recado à base. ''Não mando recados. Falo o que penso, o resultado da ação que este governo desenvolve''. O governador destacou a gratidão que alimenta em relação à base, que o apóia na venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel). ''Uma coisa é ajudar a base. Mas isso não implica em perseguição à oposição. O ódio não faz parte do meu vocabulário nem das minhas ações'', afirmou. ''O prestígio da base continua. Eu sei quem são meus adversários'', completou Lerner.
O líder do governo no Legislativo, deputado Durval Amaral (PFL), disse que a base está agindo com ''razão'' e não abre mão da reivindicação. Ele disse que marcou audiência esta semana com Lerner, quando vai entregar uma lista de pedidos em nome da base. Entre eles, que os secretários que são candidatos deixem seus cargos no máximo até o final do ano. Pelo menos cinco secretários são candidatos declarados. ''A base sofreu desgaste e isso tem que ser compensado'', argumentou Amaral.

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