Lerner diz que não ajudará prefeituras
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terça-feira, 22 de julho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
O governador Jaime Lerner (PDT) disse ontem em Curitiba que não vai dar nenhuma ajuda de custo às prefeituras que estão com as portas fechadas desde a semana passada em protesto pela prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). Segundo ele, o governo não pode assumir a culpa dos deputados federais do Paraná que foram favoráveis à medida que, no seu entender, só retira recursos financeiros dos municípios.
Cabe aos deputados e senadores ficarem atentos às necessidades dos Estados e dos municípios, ressaltou Lerner, que recebe hoje, às 15h30, um grupo de prefeitos no Palácio Iguaçu. O presidente da Associação dos Municípios do Noroeste Paranaense (Amunpar), Hélio Vasconcellos Filho, prefeito de Santa Cruz do Monte Castelo, promete levar os 29 prefeitos da região para a audiência com o governador. Além de reclamar dos reflexos do FEF, os prefeitos estão dispostos a cobrar a liberação de convênios firmados com o Palácio Iguaçu e o auxílio dele junto ao governo federal para a recuperação da BR-376.
Lerner preferiu desafiar os deputados, inclusive os que integram a sua base de sustentação política na Câmara, para que enfrentem a fúria dos prefeitos do interior. Estamos sendo sacrificados com a lei Kandir, disse o governador - ao referir-se à política federal de desoneração do ICMS na exportação de produtos primários e semi-elaborados - para justificar a impossibilidade de o Estado socorrer os municípios.
Lerner disse que o fundo teve o seu período de validade, mas que agora é desnecessário. Foi importante porque garantiu a estabilidade da economia. Acredito que hoje não há mais condições de os estados e os municípios arcarem com essas dificuldades, avalia.
Lerner admitiu novamente que a capacidade de investimento do Paraná está comprometida. Só que, desta vez, em outro tom. Segundo ele, a redução dos índices de investimentos se deu pelos reajustes salariais concedidos ao funcionalismo durante a sua administração. Tivemos que reverter um arrocho acumulado durante oito anos, disse o governador, que não teme qualquer movimentação dos servidores (Polícias Civil e Militar), a exemplo das manifestações que pipocam por todo o Brasil.


