Lerner diz que Motta ameaça o Paraná
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quinta-feira, 06 de fevereiro de 1997
Paulo Pegoraro e Mari Tortato Das sucursais 
Edson Mazzetto/Folha de LondrinaTrocoLerner visita o show rural ao lado do prefeito de Cascavel e do presidente da Coopavel: afronta e ameaça nas críticas de MottaO governador Jaime Lerner (PDT) disse ontem que considera uma ameaça ao povo do Paraná as afirmações feitas em Brasília na terça-feira pelo ministro Sérgio Motta (PSDB), das Comunicações. Motta disse que está empenhado em destruir aquele cara - o governador -, por não ter apoiado a proposta de reeleição para o presidente da República. Lerner apoiava a reeleição, mas vinculada a um plebiscito sobre sua aplicação aos atuais ocupantes de cargos executivos.
As declarações de Sérgio Motta contra Lerner foram feitas a um grupo de quatro deputados do PFL do Paraná, mas numa sala com 150 deputados - durante almoço na casa do deputado Euler Ribeiro (PMDB-AM), na terça-feira, em Brasília. Também havia jornalistas na sala, conforme o deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), um dos que estava na roda onde o ministro se dirigiu. A conversa, publicada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo, foi assim resumida: Vamos nos unir e destruir aquele cara. Agora isso é um problema meu. Precisamos acabar com essa ficção.
Em Cascavel, onde visitou um show de tecnologias rurais da cooperativa Coopavel, Jaime Lerner disse que há mais de um ano e meio já havia se posicionado a favor da reeleição desde que ela fosse precedida de um plebiscito.
O governador afirmou que sempre se manteve coerente, e o próprio presidente da República considerou a possibilidade do referendo ou plebiscito. Por isso, disse não entender o que significa esta ameaça ao povo do Paraná, que classifica como preocupante e um desrespeito. O ministro afronta e ameaça de represália o povo do Paraná? - questionou o governador.
Lerner acrescentou que sempre teve um relacionamento cordial com o ministro Sérgio Motta e com o presidente Fernando Henrique Cardoso. A declaração de Motta, prosseguiu Lerner, para mim é uma surpresa e para o povo do Paraná, uma afronta. No entanto, disse não acreditar que o ministro tenha sido porta-voz do presidente.
Nota oficial O Palácio Iguaçu no final da tarde nota oficial de quatro linhas, assinada por Jaime Lerner, através da qual afirma que os termos usados por Motta são incompatíveis com o comportamento que se espera de um ministro.
Como cidadão e como governador dos paranaenses, só tenho a lamentar as declarações do ministro. Gostaria de acreditar que ele não tivesse dito tais palavras porque elas são incompatíveis com a magnitude com o cargo de ministro do presidente Fernando Henrique Cardoso, diz a nota.
Na semana passada, na primeira investida de Sérgio Motta contra Jaime Lerner - sob a acusação de ele não ter apoiado a reeleição, Lerner procurou relevar as críticas. O ministro não ouviu o que eu tenho afirmado. Não perguntei para ele se devo ou não apoiar a reeleição. Eu apoiei, apóio a idéia, mas sempre disse que era favorável a uma decisão popular para os atuais ocupantes de cargos, reagiu.
Para o governador, as críticas de Motta eram fruto de intrigas. Tem pessoas que procuram fazer intrigas e a intriga é feita por pessoas pequenas, disse, sem deixar claro se a referência pequenas era dirigida ao ministro peso pesado ou se a políticos do Estado que abriram espaço junto ao ministro das Comunicações no período que precedeu a aprovação da emenda da reeleição, caso do ex-governador Álvaro Dias.
Eu não estou preocupado com o resultado de intrigas. Minhas posições sempre foram muito claras, de há muito tempo e não mudei um milímetro em relação a isso e não vai ser qualquer intriga que vai me fazer mudar de opinião, disse Lerner na mesma terça-feira em que o presidente FHC garantia na Câmara a aprovação da reeleição.


