Leandro Donatti
De Curitiba
O governador do Paraná Jaime Lerner (PFL) criticou a marcha organizada pelos partidos de esquerda para protestar hoje contra o governo federal em Brasília. ‘‘Isso é uma manipulação contra a governabilidade. Não passa de um golpismo’’, declarou ontem, depois de uma solenidade no Palácio Iguaçu. Em seguida, o governador distribuiu nota oficial manifestando o seu repúdio à marcha e sua defesa ao presidente Fernando Henrique Cardoso. O apoio incondicional ao governo federal foi manifestado um dia depois de o governador pedir ao presidente a antecipação dos royalties de Itaipu para tirar as finanças do Paraná do ‘‘vermelho’’.
Lerner disse que o momento é de ‘‘defender o presidente e apoiar o Brasil, concentrando-se na conclusão das reformas e na construção de uma agenda positiva, sem que o País corra o risco de ver desmoronar todo o esforço dos últimos anos’’.
‘‘Usar as dificuldades para desgastar a figura do presidente e acirrar o descontentamento da população, escondendo dela as verdadeiras causas da recessão, do desemprego e das turbulências econômicas, corresponde a conspirar contra a esperança de uma Nação’’, diz a nota.
Para Lerner, as dificuldades pelas quais o Brasil está passando não decorrem do governo de FHC, mas ‘‘de fatores externos, que causaram turbulência em várias regiões do planeta, e da demora brasileira em aprovar reformas essenciais’’. ‘‘Apesar de todos os percalços vividos, o País está longe do caos que a maioria temia. Ao contrário, os indicadores da economia são positivos’’, ponderou.
Lerner disse que em vez de marcha, os políticos deveriam promover o diálogo. ‘‘Sem abrir mão dos princípios ideológicos, dos interesses regionais e da representação das bases, que movem a atividade política, a hora é de fazer prevelecer o diálogo, o bom senso e a razão sobre as palavras de ordem e sobre a manipulação, sempre perigosa, que, ensina a História, costuma derivar de situações de tensão como a que vivemos’’, assinala.
Manifestações como a marcha, na avaliação do governador, conduzem o Brasil ‘‘a uma armadilha, perdendo a grande oportunidade de consolidar um caminho de afirmação para impor o retrocesso e a ameaça às instituições’’.

mockup