O governador Jaime Lerner (PFL), acha que o governo federal não deve voltar suas atenções apenas para o cenário econômico. ‘‘O povo não pode entender só a coisa econômica. Entendeu o Plano Real. Entendeu, absorveu, acreditou e funcionou. O plano econômico agora precisa de piloto, logo vai se sedimentar, mas é necessário retomar o desenvolvimento, pensar nas pessoas’’, declarou em entrevista concedida à revista IstoÉ antes de embarcar, no último dia 8, para os Estados Unidos.
Para Lerner, o Brasil precisa de menos ‘‘PhDeus’’ e mais dirigentes ‘‘que se preocupem com as pessoas’’. ‘‘Ou pelo menos que os PhDeus pensem mais nas pessoas’’, emendou. Na sua opinião, o momento é de aguardo. ‘‘Temos de esperar um pouco. O povo não pode ter a sensação de que está aparando costeletas: mexe daqui, mexe dali. Nós estamos muito divididos entre dois tipos de fundamentalismo. De um lado o corporativista, do outro o monetarista. E o povo, no meio, vendo.’’
Lerner entende que o chamado fundamentalismo monetarista não é o ideal. ‘‘Com monetarista você não faz gol nunca. A pessoa com a inteligência, a capacidade de convencer, o brilhantismo que o presidente tem pode reverter essa situação. Agora é importante que ele conduza esse processo de atendimento das necessidades da população’’, ponderou.
O governador aproveitou a entrevista para bater na tecla do novo modelo previdenciário do Paraná, a Paranaprevidência. Lerner disse ser contra o movimento pela moratória liderado pelo governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). ‘‘É um movimento inócuo. Não vai resolver nada, só vai criar assunto político. Talvez seja esse o objetivo’’, classificou.
Lerner defendeu a regulamentação do artigo 201 da Constituição, que compensa as perdas previdenciárias registradas pelos Estados por conta da transformação de servidores do regime celetista para o estatuário, em 1992.
Menos contundente, Lerner falou sobre o seu projeto político para2002. Questionado sobre a sucessão presidencial, disse que o momento não é o mais apropriado para tratar do assunto.
‘‘Falar qualquer coisa nesse sentido agora é negativo para o País. Cada vez que fui prefeito, agora como governador, procurei fazer a minha tarefa. Se eu fizer bem, eu me qualifico’’, finalizou. (L.D)

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