Lerner diz que Amin foi leviano
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de março de 1997
Sérgio Wesley 
Sucursal de Curitiba
O governador Jaime Lerner disse ontem que o senador Esperidião Amin (PPB-SC), membro da CPI dos Títulos Públicos, foi leviano ao levantar suspeitas sobre o governo do Paraná. O governo do Paraná não tem nada a ver com essa questão dos precatórios. O senador Amin foi leviano ao tentar colocar o Paraná sob suspeita, reagiu.
Na segunda-feira, Amin disse em Curitiba que a CPI encontrou debêntures emitidas pelas empresas Inepar e Banestado Leasing nos cofres da corretora IBF, uma empresa laranja usada no esquema nacional de emissão irregular de títulos públicos. O senador disse que o Paraná também deve ser investigado.
Ontem, a pedido de Lerner, dois técnicos do Banestado iniciaram uma nova auditoria na Banestado Leasing para analisar todas as operações de emissão de R$ 300 milhões em debêntures nos dois últimos anos. A equipe de auditoria tem prazo inicial de 30 dias para concluir os trabalhos.
O deputado Ângelo Vanhoni (PT) disse ontem que a auditoria solicitada por Lerner não pode ficar restrita às operações com debêntures. Ele encaminha amanhã ao governador um pedido para que as investigações na Banestado Leasing sejam ampliadas.
Segundo Vanhoni, a carteira da Leasing cresceu 220% nos dois últimos anos, passando de R$ 250 milhões para R$ 800 milhões. O trabalho de auditoria não pode ficar restrito às debêntures, afirmou.
O deputado disse que as dificuldades financeiras enfrentadas pela Banestado Leasing foram provocadas por irregularidades nas operações de arrendamento mercantil. O deputado disse que ex-diretores da empresa assinaram contratos sem garantias e superfaturaram várias operações de leasing-back (que é o financiamento de um bem já adquirido pelo contratante).
Antes da saída de Osvaldo Magalhães dos Santos Filho da presidência da Banestado Leasing para a Secretaria de Esportes e Turismo, o Banestado realizou auditoria nas contas da Leasing cujo relatório final é mantido em sigilo pela direção do banco. Essa auditoria teria constatado o envolvimento de diretores e altos funcionários na cobrança de comissões altas e no superfaturamento de operações.
O deputado Ângelo Vanhoni disse que se essas informações de irregularidades forem confirmadas, a Assembléia Legislativa não poderá fugir da responsabilidade de instalar uma CPI para investigar a Banestado Leasing.


