CURITIBA - O governador do Paraná, Jaime Lerner (PDT), criticou ontem o modo como está sendo conduzida a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos, principalmente com a preservação da imagem de senadores que relataram e aprovaram a emissão dos títulos. Ele denuncia o tom eleitoral da CPI. ‘‘Acho estranho que as testemunhas são colocadas à execração pública, quando algumas pessoas que iniciaram o processo terão uma reunião intracorpore’’, disse Lerner. Segundo o governador, algumas autorizações do Senado chegam a contrariar pareceres do Banco Central.
Ele reafirmou que o senador Roberto Requião (PMDB-PR) tenta envolver o Paraná na CPI por questões políticas. Lerner garantiu que os diretores do Banco do Estado do Paraná (Banestado) vão esclarecer todas as dúvidas dos senadores. Segundo Lerner, o fato de 98 instituições terem comprado títulos públicos e apenas três serem chamadas a explicar mostra o tom eleitoral da CPI. ‘‘É uma tentativa desesperada de fazer alguma ilação’’, disse. ‘‘A CPI serve a interesses políticos de um senador que sabe perfeitamente que o Paraná não tem nada a ver com isso, mas procura, em entrevistas, denegrir a administração’’.
De acordo com Lerner, foi Requião quem espalhou as ‘‘mentiras’’ de que poderia haver intervenção no Banestado, caso ele não demitisse a diretoria do banco. ‘‘Liguei na hora para o presidente do Banco Central e ele disse que não tinha o menor fundamento’’, disse o governador. ‘‘Vocês conhecem o senador; em meio às entrevistas ele solta algumas coisas verdadeiras e outras que não têm fundamento, e muitos caem nessa armadilha.’’ Lerner garantiu que suas críticas não refletem uma posição contrária à CPI.’’

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