Curitiba A exemplo do que ocorreu na campanha do prefeito Cassio Taniguchi (PFL), o governador Jaime Lerner (PFL) pode acabar ficando de fora dos programas eleitorais do candidato do PSDB à sucessão estadual, Beto Richa. A tática, que ontem era dada como certa, pelo menos nesta fase da campanha, é nada mais que um reprise da adotada em 2000. Naquele ano, a participação de Lerner foi barrada na campanha pela prefeitura, apesar de Cassio ser afilhado político do governador.
A coordenação de campanha do filho do ex-governador José Richa nega, oficialmente, que a intenção seja vetar Lerner nos programas onde Beto aparecerá. Segundo a assessoria de Beto, Lerner é ''peça importante no PFL'', partido que dá sustentação ao tucano, e sua presença seria ''positiva''.
No entanto, uma corrente ligada a Beto entende que, por causa da avaliação do governo Lerner aferida pelo Ibope (39% dos entrevistados consideram seu governo ''regular'' e 29% ''ruim''), é melhor desvincular a imagem do tucano da de Lerner. Mesmo Beto sendo o nome do governador à sucessão.
A performance do tucano, medida pelo Ibope, ainda é pálida. Ele aparece com 5% das intenções de voto, conforme pesquisa divulgada na semana passada. O resultado tem provocado movimentação intensa da equipe de marketing, que discute fórmulas para impulsionar seu candidato nas sondagens.
O horário eleitoral inicia dia 20, mas os candidatos a governador vão ao ar apenas no dia seguinte. Por enquanto, as inserções de Beto apenas começaram a ser gravadas, sob o controle rigoroso da equipe de marqueteiros. A coordenação de campanha afirma que a participação do governador ainda pode ocorrer. O próprio candidato tem declarado que defende a participação de Lerner.
Ontem, em Londrina, Lerner declarou que gravará participações nos programas eleitorais de Beto. O governador adotou um tom incisivo. ''Não só pretendo como vou gravar.'' Na semana passada, disse que o faria se fosse convidado.
O governador preferiu minimizar as manifestações de Beto, rechaçando um eventual vínculo da sua candidatura com a administração Lerner. ''Acho que há distorção. Ele (Beto Richa) tem dito na minha frente que é candidato da aliança (Paraná de Todos Nós) e quer dar continuidade a todas as coisas que precisam ser continuadas e criar novos programas, o que é natural'', explicou o governador. Auto-intilando-se um devoto da candidatura do tucano, Lerner disse que pretende colaborar com a sua experiência em eleições.
Para o governador, a candidatura já decolou e Beto estará no segundo turno, de onde sairá vitorioso. ''Não falo isso como bravata partidária, mas com o conhecimento de quem já venceu seis eleições seguidas.''
Ainda que haja a intenção expressa de setores da organização da candidatura do tucano em manter o governador distante da campanha, Lerner assegurou ontem que ''em todos os momentos que a minha agenda e a legislação (eleitoral) permitirem estarei junto com o Beto Richa''. Para o governador, aqueles que estiverem contra Beto estarão contra a sua orientação.

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