O governador Jaime Lerner (PFL) não está disposto a ceder às pressões do PPB. O recado foi dado ontem pelo chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL) - o responsável pelas articulações políticas do governo - ao presidente do diretório regional do PPB, deputado federal José Janene, que, na última segunda-feira, oficializou a adesão do partido na frente das oposições. ‘‘A aliança conosco não deve ser interesseira ou funcionar como um leilão. A nossa moeda é o bem comum’’, declarou.
Irritado com a oscilação pepebista, que ora se coloca como situação que quer mais espaço (cargos) no governo e ora como oposição ao Palácio Iguaçu, Greca chegou a dizer que o apoio do PPB nas eleições de outubro não é fundamental, ‘‘é apenas mais um apoio’’. ‘‘Não é importante assim. Eu ganhei as eleições de 92 contra sete candidatos. O Cássio (Taniguchi), em 96, contra outros vários. E em 94 conseguimos derrotar o PPB (resultado da fusão dos extintos PP e PPR), que apoiava o Álvaro (Dias), analisou Greca.
Para ele, o governo vê como atitude isolada a vontade do comando pepebista em coligar com os partidos do senador Roberto Requião (PMDB) e do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), os principais adversários políticos de Lerner. ‘‘Não entendo este pacto firmado como uma vontade coletiva’’, avalia Greca, que inicia ainda nesta semana contatos informais com as lideranças do PPB para tentar reverter a decisão tomada por Janene na reunião das oposições.
‘‘Eu e o governador somos muito amigos do Maluf’’, sugeriu ainda o chefe da Casa Civil, que não descarta a possibilidade de agendar encontro com o presidente nacional do PPB, ex-prefeito Paulo Maluf. Greca afirma que a idéia ‘‘é conversar com pessoas de boa vontade’’. Ele diz estranhar a atitude do comando estadual que, de uma hora para outra, teria se ‘‘desencantado’’ com o governo. ‘‘A direção é provisória, o que vale para nós são os apoios das lideranças estaduais e federais’’, observou, numa alfinetada à direção do PPB, que ainda funciona no Estado como comissão provisória.
O governador passou o dia dando declarações contraditórias sobre o episódio PPB. Pela manhã, durante solenidade que regulamentou a aplicação do novo código de trânsito em Curitiba, o governador disse que a decisão pepebista, oficializada através de documento, não passava de ‘‘especulação’’ e que nunca houve nenhuma crise política com o PPB.
À tarde, no entanto, o governador mudou o discurso. Disse que ‘‘o fato (adesão à frente) não é definitivo’’ e que ‘‘é normal que haja negociações entre os partidos’’. Segundo ele, a manifestação do PPB não impede que a sigla caminhe junto com o governo em 98 e que o seu grupo político (PFL-PTB) está aberto para conversas. ‘‘O meu desejo é ampliar a aliança cada vez mais’’, assinalou.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB), comemorou a adesão do PPB à frente de oposições. ‘‘Eles são muito bem-vindos’’, disse Hauly. Para ele, é natural que o partido se una com o PMDB e o PSDB. ‘‘O PPB é formado pela mesma estrutura nossa. A militância tem afinidade’’, observa. Ele acredita que a aliança ‘‘tem tudo para prosperar’’. (Colaborou Patrícia Zanin, de Londrina)

mockup