O governador Jaime Lerner (PDT) elogiou ontem a iniciativa do presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PPS-PE), de criar uma nova sigla de centro-esquerda para as eleições do ano que vem, mas preferiu não se comprometer nem aderir à proposta, pelo menos por enquanto. ‘‘Acho positivo para o País acontecer essa força política. Cria uma nova alternativa’’, declarou.
Lerner disse que está aguardando os acontecimentos para anunciar de uma vez o seu futuro partidário. O governador não confirma que vai para o PFL, mas admite que a indefinição não pode se prolongar. ‘‘Temos datas e tudo está na minha cabeça. Existe ainda muita coisa no ar. E eu não faço comentários porque acho ser a maneira mais construtiva para nos encaminharmos à uma definição’’, explica.
As declarações de Lerner, pela primeira vez demonstrando preocupação com prazos, foram interpretadas no próprio PDT como sinal de que a vinda do presidente nacional, ex-governador Leonel Brizola, a Curitiba, causa inquietação.
Mais incisivo que o governador, o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PDT), tratou de descartar ontem a possibilidade de Lerner e o PDT aderirem ao convite que está sendo costurado por Roberto Freire e pelo ex-governador do Ceará Ciro Gomes (sem partido). ‘‘É uma iniciativa válida, que pode até ter interfaces próximas com o PDT, mas o grande problema em questão é o da viabilidade eleitoral’’, ressalva.
O ‘braço-direito’ do governador lembra que a legislação eleitoral exige que, para o lançamento de candidaturas majoritárias, o partido detenha pelo menos 5% do total do eleitorado. ‘‘Criar uma sigla de centro-esquerda é viável, mas demandaria bastante trabalho’’, avalia Taniguchi. Também acredita que ela não garante espaço suficiente para Lerner no horário eleitoral gratuito.
O senador Roberto Freire só concorda com Taniguchi, no que diz respeito ao pouco tempo para a campanha no rádio e na tevê. ‘‘Esta, talvez, seja a nossa maior barreira. Mas pode ser contornada se houver uma adesão maciça de deputados e a legislação eleitoral levar como base de cálculo o número atual de parlamentares e não as bancadas eleitas em 94’’, ressalva.

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