Lerner descarta demissão de Garcia
Governador diz que o momento é de evitar polêmica e unir forças para sanear o Banestado e atender melhor os acionistas
Carmem Murara e
José Fernando da Silva

Arquivo Folha
BombeiroLerner: ‘Não vamos botar lenha na fogueira, e vocês (jornalistas) também não coloquem mais lenha’’Diante do retorno dos conflitos entre o presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PTB), e do presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, o governador Jaime Lerner preferiu colocar panos quentes em cima da polêmica. ‘‘Tenho certeza que não é esse o pensamento do deputado Aníbal. Há declarações que são feitas em determinados conceitos, e às vezes são pinçadas de forma errada’’, afirmou o governador, na manhã de ontem, em Curitiba. No dia anterior, Khury exigiu, em alto e bom som, a substituição de toda a diretoria do Banestado como condição para aprovar o projeto de lei que autoriza o governo a privatizar o Banestado.
Lerner preferiu não esclarecer se tem ou não um plano imediato para trocar a presidência do banco e as demais diretorias. Mas ele fez questão de enfatizar que a única pessoa que decide sobre esse assunto é ele próprio. ‘‘A decisão de troca de cargos é do governador’’, frisou.
Medindo as palavras para não se indispor com o presidente da Assembléia, Lerner fez diversos elogios ao deputado. Disse que Khury é um homem que tem ‘‘grande visão’’ do Paraná e quer a ‘‘melhor solução’’ para o saneamento do Banestado. ‘‘Assim como eu, o deputado Aníbal Khury deseja uma assessoria altamente profissional no sentido de encaminhar bem o saneamento do banco’’, declarou. E completando o pensamento, disse: ‘‘Nós dois trabalhamos juntos para sanear o banco e atender melhor os acionistas e o povo’’.
Com receio que piore o relacionamento entre Neco Garcia e a Assembléia, Lerner orientou os secretários e assessores a não fomentar a briga. Ele disse que não permitirá que retorne com força a crise que se instalou há alguns meses. ‘‘Não vamos botar lenha na fogueira, e vocês (jornalistas), por favor, não coloquem mais lenha na fogueira’’, pediu o governador.
áO governo espera agora o melhor momento para enviar o Projeto de Lei para saneamento e privatização do Banestado à Assembléia Legislativa. O secretário de Governo, José Cid Câmpelo Filho, informou que até agora não recebeu nenhum expediente sobre o Banestado da Secretaria da Fazenda. O secretário-chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, disse que a atual fase é ‘‘eminentemente técnica’’, com estudos e trabalhos para definir a melhor forma de elaborar as propostas do projeto. A insistência de Khury na substituição da diretoria do Banestado adia qualquer iniciativa do governo em apresentar as proposta de privatização do banco. O secretário de governo não soube informar quando deverá ter o projeto em mãos. ‘‘Talvez na próxima semana’’, disse Cid Câmpelo.
Na sessão da Assembléia Legislativa, realizada ontem pela manhã, nenhum deputado pediu a palavra para comentar o caso do Banestado. Segundo o deputado Luiz Romanelli (PMDB), embora com diferentes posições quanto a privatização ou não do banco, há um apoio explícito dos deputados às atitudes de Aníbal Khury. Romanelli disse que a proposta do PMDB é manter o Banestado sob responsabilidade do Estado e que esta tese vai ser defendida pelo senador Roberto Requião durante a campanha para governador.

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