Lerner demite Joel Coimbra
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de agosto de 2001
Maria Duarte<BR>De Curitiba 
O governador Jaime Lerner (PFL) demitiu ontem o ex-deputado estadual Joel Coimbra do cargo de procurador-geral do Estado. O Palácio Iguaçu alegou ''incompatibilidades de Coimbra junto a outros procuradores'' para justificar a exoneração. No entanto, aliados do governador admitem que a decisão foi tomada no fim de semana, levando-se em conta as denúncias feitas pelo Ministério Público (MP) contra Coimbra, por improbidade administrativa. Para evitar desgaste, o governo preferiu promover mudanças na Procuradoria Geral do Estado (PGE) pasta encarregada de defender os interesses do governo estadual na esfera judicial.
Coimbra será substituído pela procuradora de carreira Márcia Carla Pereira Ribeiro, até então vinculada à Secretaria de Governo. Márcia foi assessora jurídica no processo de privatização do Banestado, vendido ao Itaú em outubro do ano passado, e ocupa a mesma função na Comissão de Desestatização da Copel. Ela continuará fazendo parte da Comissão, paralelamente às suas funções na PGE. Procuradora há 12 anos, ex-presidente da Associação dos Procuradores do Estado do Paraná (Apep), doutora em Direito Comercial e professora na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR), a nova procuradora-geral assume o posto hoje. A posse oficial, entretanto, está marcada para sexta-feira.
''Assumo com serenidade e com a tarefa principal de prestar a mais completa consultoria jurídica e judicial a todo o governo do Paraná'', declarou Márcia. Ela terá também que definir uma nova sede para a PGE. As instalações precisam sair do Edifício Castello Branco, que vai abrigar um museu. A nova procuradora pretende ainda ampliar o quadro de procuradores (hoje são 109), por meio de concurso público.
As mudanças na PGE foram amplas. Além de Coimbra, foram exonerados o diretor-geral da PGE, José Anacleto Abduch, e o chefe de gabinete, Pedro Bispo. Os substitutos serão definidos por Márcia Ribeiro nos próximos dias. Ambos devem permanecer no governo do Estado. No início de julho, eles haviam pedido demissão, alegando que não concordavam com a postura de Coimbra à PGE.
Os procuradores decidiram engrossar o coro contra o procurador-geral. A Apep publicou nota oficial nos jornais, no dia 21 de julho, pedindo a substituição de Coimbra por um funcionário de carreira. A categoria decidiu, na época, elaborar uma nota de repúdio por causa das denúncias feitas pelo MP contra Coimbra. A entidade se referia à nomeação de uma funcionária, Flávia Cerneiro Pereira, para ocupar simultaneamente cargos na Prefeitura de Maringá e no governo do Estado. Segundo Coimbra, Flávia foi exonerada do Estado.
Durante o último mês, o secretariado de Lerner permaneceu dividido na questão. Uma ala defendia a permanência de Coimbra, enquanto outros acreditavam que a demissão era a melhor forma de evitar uma crise. Lerner não quer que a demissão seja vista como um rompimento político. O secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, disse que o ex-deputado continuará fazendo parte do governo, em cargo ainda a ser definido pelo governador.


