Os primeiros sinais de fumaça branca no Palácio Iguaçu, sinalizando a definição dos novos secretários do governador Jaime Lerner (PFL), começaram a aparecer ontem em Curitiba. Giovani Gionédis e David Campos, que responderam nos últimos anos pelas secretarias da Fazenda e Comunicação Social, respectivamente, foram demitidos pelo governador. Os dois aguardam um retorno do prefeito reeleito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), que está na Europa descansando, para discutirem a possibilidade de acomodação.
A decisão do governador, de dispensar os dois fiéis colaboradores, foi consumada ontem, depois de diversos dias de reflexão e rodadas de discussões. O presidente da Copel, Ingo Hubert, é o mais cotado para ficar com o posto de secretário da Fazenda, já que a indicação do ex-presidente do Banestado Reinhold Stpehanes enfrenta sérias resistências dentro do próprio governo. Ingo fica com a missão de avançar no processo de privatização da Copel, que é de responsabilidade da Secretaria da Fazenda. O Palácio Iguaçu dá como certa ainda a posse do deputado federal Rafael Greca (PFL) como novo secretário de Comunicação. Greca, no entanto, pediu tempo para dar uma resposta.
O convite de Lerner a Greca foi interpretado como uma resposta política ao marketing da campanha de Cassio Taniguchi. Chefiada por David Campos, que licenciou-se do governo para a campanha, a equipe que cuidou da imagem do prefeito na acirrada campanha contra o PT decidiu desvincular a imagem de Cassio e de Lerner bem como excluir o governador do programa eleitoral gratuito. O entendimento era de que a imagem desgastada do governador, mergulhado em crises nos últimos meses, só tiraria votos. ‘‘O Cassio foi bastante firme no segundo turno ao falar diretamente ao governador algumas verdades. Isso acabou pesando’’, descreve uma fonte de peso ligada ao governo.
A lavagem de roupa suja entre Lerner e David Campos durou cerca de uma hora e meia. A demissão de Giovani Gionédis não foi menos traumática. Amigo pessoal do governador e colaborador nas horas difíceis – como no saneamento do Banestado e na antecipação dos royalties de Itaipu – Gionédis saiu do gabinete de Lerner com a convicção de que não volta mais para a equipe. Uma fonte que conversou com o ex-secretário da Fazenda ontem à noite conta que Gionédis recusou a última oferta de Lerner: a Casa Civil. ‘‘Depois de tudo isso, não quero mais nem a Fazenda’’, teria desabafado.
A recusa de Gionédis abre outro problema para o governador que está sem chefe da Casa Civil. Como Rafael Greca ainda não confirmou oficialmente a sua disposição em ficar com a função de David Campos – o deputado passou o dia em Brasília driblando os jornalistas do Paraná – a reengenharia planejada pelo governador ainda não está concluída e pode ter alterações, uma vez que Greca tem obsessão em ser o futuro governador do Paraná, na eleição de 2002.
Outras peças do ‘‘xadrez político’’ estão em movimento. Tucanos do Paraná foram consultados ontem, pelo governo federal que está coligado com o PFL, sobre a possibilidade de o atual secretário da Saúde, Armando Raggio, ser acomodado em Brasília num programa mantido pelo Ministério da Saúde.

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