Lerner defende hoje a chapa de Brasília
O governador Jaime Lerner (PFL) vai hoje para as convenções do PFL e do PTB, em Curitiba, defendendo uma chapa montada em Brasília pelos articuladores da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Até o início da noite de ontem, predominava junto ao staff do governador que a opção mais vantajosa para garantir a sua reeleição é o PFL e PTB abrirem mão de uma candidatura ao Senado e o grupo repetir a chapa de 94, encabeçada por Lerner e Emília Belinati (PTB) como vice-governadora.
Os aliados mais chegados ao governador passaram o dia tentando acabar com as resistências no PFL e PTB. O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Aníbal Khury (PFL), manifestou-se contra a fórmula de Brasília - que tira o ex-governador Álvaro Dias (PSDB) da briga pelo governo, e, em troca, pede a desistência do PFL e PTB na disputa ao Senado. Khury voltou a defender Lerner na cabeça; o ex-governador Paulo Pimentel (PFL) na vice; e Emília, no Senado. A vice-governadora tinha conversa agendada com Lerner ontem. Ele iria apelar para ela abrir mão da vaga ao Senado.
Os argumentos do governador, em atender o suposto pedido das cúpulas nacionais do PSDB e do PFL, não são colocados claramente. Lerner evitou dar entrevistas ontem. Pela manhã, resumiu irritado que se recusa a falar em política 24 horas antes das convenções. Coordenador político da campanha, o secretário-chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, abriu o jogo. Disse que essa é uma questão de exclusivo conhecimento do governador e que não há constrangimento nenhum. Houve um pedido do presidente, justificou, numa referência indireta ao acordo branco costurado em Brasília.
Para o secretário, seguir a orientação de Brasília não quer dizer que haverá chapa envergonhada com Álvaro Dias. Esse acerto entre Álvaro e Lerner não existe. O que há são interesses comuns do PFL e PSDB nacionais. Os coordenadores da campanha do FHC entendem que não deveria haver novidade no processo eleitoral do Paraná e que a sua situação é boa no Estado, na medida que a performance do governador Jaime Lerner também é boa, declarou. O Planalto não quer que haja marola, turbulência no processo eleitoral do Estado, emendou.
O porta-voz de Lerner afirmou ainda que a carta do presidente para Álvaro, liberando o PSDB mas manifestando preferência de ver o ex-governador no Senado, também fez o grupo reestudar as posições. O boato se confirmou. Agora precisamos analisar as variantes para ver se vale o sacrifício (abrir mão do Senado), assinalou. Cândido Martins garantiu que o PFL e o PTB não vão se pautar pela conduta de Álvaro Dias. Ele não negou, no entanto, que se estudava ontem a possibilidade de deixar as atas das convenções de hoje em aberto, confirmando apenas a candidatura de Lerner e deixando os nomes dos candidatos a vice e ao Senado em suspense.
A chapa de Brasília tem o apoio também do presidente estadual do PTB, Emerson Palmieri. Segundo ele, o PTB colocou a pré-candidatura de Emília Belinati ao Senado, mas não pode ser intransigente. Existe um bem maior que é a reeleição do governador e o PTB vai trabalhar para o nosso governador, assinalou o dirigente. Palmieri foi liberado pelo presidente nacional do PTB, senador José Eduardo Vieira, para fechar as negociações com o PFL do governador.Foto de Arquivo FolhaLerner: irritado e mudo 24 horas antes das convençõesLeandro Donatti





