Agência Estado
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Lerner, no Rio: reunião com Brizola para discutir as ‘angústias’ que os dois estão vivendoRIO - O governador do Paraná, Jaime Lerner, afirmou ontem que vai permanecer no PDT. Ele passou três horas reunido com o presidente nacional do seu partido, o ex-governador Leonel Brizola. Lerner namorou com o PSDB, mas teve o seu ingresso vetado no partido pelo ex-governador do Paraná, Álvaro Dias. A informação de que Lerner continua no PDT foi repetida por Brizola, numa entrevista.
Por causa do namoro com os tucanos, Brizola chegou a chamar Lerner de ‘‘traidor do povo do Paranᒒ. Ontem, após a reunião, pedida pelo paranaense, o clima parecia mais ameno. ‘‘Temos uma relação de admiração e de respeito muito forte’’, disse o governador. ‘‘Nossa conversa foi cordial, em nome de nossa antiga amizade’’, afirmou Brizola.
Abatido e repetindo, a cada pergunta, a frase ‘‘estou do PDT’’, Lerner afirmou ter pedido a reunião com Brizola para discutir ‘‘as angústias’’ que os dois estariam vivendo. O governador paranaense não explicou as angústias e se limitou a dizer que elas dizem respeito ao ‘‘processo de reflexão’’ pelo qual estaria passando. Lerner não quis comentar se tentaria entrar em outro partido.
Brizola deixou claro que o principal atrito entre Lerner e o PDT é o fato de o partido estar distanciado do poder e com poucas chances de alcançá-lo a curto prazo. ‘‘A inquietação dele também é nossa com os rumos do nosso partido’’, afirmou o presidente nacional do PDT. ‘‘Só não podemos ficar nervosos por não termos a hipótese de poder.’
O ex-governador do Rio admitiu que o PDT passa por um momento de transição por causa da distância do poder. ‘‘O partido está na posição em que o momento histórico naturalmente o colocaria’’, afirmou. Para Brizola, no entanto, isto não é razão para desespero. ‘‘Aconteceu a mesma coisa com os trabalhistas ingleses e hoje eles estão no poder.’ Na reunião que, segundo Brizola, ‘‘falou-se de tudo e de quase todos’’, foram discutidas também possibilidades de aliança para o PDT do Rio. O ex-governador afirmou que não pretende se candidatar a cargo algum, mas que poderá vir a disputar um cargo eletivo se for em uma ‘‘aliança equitativa’’.

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