O governador Jaime Lerner quebrou ontem o seu estilo sereno de nunca se envolver em polêmica e saiu disparando acusações contra o senador Roberto Requião (PMDB), relator da CPI dos Títulos Públicos. Em um discurso inflamado para um grupo de prefeitos, que acompanhava o lançamento do programa Florestas Municipais, Lerner acusou Requião de usar a CPI para tentar envolver o Estado no escândalo da emissão irregular de títulos públicos. ‘‘Este senador estava com o pijama de presidiário, de condenado, de réu e deram a ele uma toga para ser o juiz do mundo. Agora, ele quer envolver a todo custo o Paraná na CPI dos Precatórios’’, protestou o governador.
Sem poupar palavras contra o senador, o governador disse que Requião quer se promover em cima dos trabalhos da CPI. Lerner enfatizou que o Estado não emitiu títulos públicos para pagar precatórios nos últimos anos e garantiu que não há qualquer envolvimento do Estado com os fatos que estão sendo investigados.
Requião teria dito que o governo do Estado pediu autorização do Senado para emitir R$ 580 milhões em títulos públicos, enquanto a dívida com precatórios vencidos em 1995 e 96 somaria apenas R$ 90 milhões. Lerner garante que o Estado não pediu a autorização ao Senado.
Para atacar Requião, o governador relembrou que foi por causa dele que a liberação do financiamento do Programa Paraná 12 Meses junto ao Banco Mundial (Bird) ficou parado no Senado. ‘‘Prejudiciar o Estado que aguardava estes recursos é uma covardia’’, afirmou o governador. Ele disse que esse estilo de fazer política se baseia apenas na ‘‘picuinha’’. ‘‘Essas pessoas não merecem o respeito do nosso Estado’’, disse Lerner.
O governador ameaçou retomar as investigações da emissão de diárias frias no Palácio Iguaçu, no período em que Requião era governador. As denúncias de uso de falsas diárias foram levantadas pelo ex-governador Mário Pereira, que sucedeu Requião. Uma auditoria interna chegou a ser feita, mas o processo acabou sem conclusão e caiu no esquecimento. ‘‘Emissão de diárias frias é um delito grave. Vamos rever este processo e ver se os responsáveis por isso explicam o caso’’, disse Lerner.
Para finalizar o discurso aos prefeitos, Lerner voltou a usar a frase que não tem dispensado desde que quebrou a perna e passou a usar muletas e cadeira de rodas. ‘‘A cadeira de rodas está a disposição de nossos adversários políticos. Temos vários modelos de cadeiras à disposição, até mesmo uma cadeira elétrica’’, irozinou. O governador foi aplaudido por uma claque de prefeitos que recém tinha recebido veículos para usar em um programa de reflorestamento.

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