O governador Jaime Lerner (PFL) cortou 770 cargos em comissão - indicados por critérios políticos - e manteve outros 2.760 entre renovações e novas contratações, com salários 10% menor. O levantamento foi divulgado pelo Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal (Crafe), integrado pelos secretários Giovani Gionédis (Fazenda), Maria Elisa Paciornick (Administração), José Cid Campêlo Filho (Governo), Miguel Salomão (Planejamento) e Luiz Carlos Caldas (Procuradoria Geral do Estado).
A maioria dos cargos cortados - cerca de 400 - é de inspetores de educação, chefe de postos de trânsito e agentes de segurança. O restante são funções comissionadas distribuídas em 23 secretarias e em órgãos públicos da administração indireta. Se somada à redução salarial de 10% dos cargos mantidos, a extinção de cargos representará economia média de R$ 1,4 milhão por mês. O governo passa a gastar a partir de agora uma média de R$ 3,5 milhões com os cargos em comissão.
O corte anunciado pelo Crafe supera os 419 cargos em comissão criados pelo governo Lerner, em fevereiro de 1995, quando houve a primeira reforma administrativa de sua gestão. Na época, os cargos criados representaram um gasto extra de R$ 411.056,30. As secretarias de Transporte, Segurança e Educação terão de fazer um remanejamento de pessoal para suprir a deficiência provocada com a extinção dos cargos de chefe de postos de trânsito, agentes de segurança e inspetores de educação.
Lerner e o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, passaram a tarde despachando. O governador assinou cerca de 200 processos, envolvendo os 2.760 cargos renovados. Ele sancionou também três mensagens. Uma delas, autoriza o Executivo a se desfazer de todas as suas ações no Banco Del Paraná, o braço do Banestado no Paraguai. A segunda, trata define regras para o controle de postos de gasolina e distribuídoras. E a última, que altera o nome da Agência de Desenvolvimento para Agência de Fomento.
‘‘Todas as secretarias, sem exceção, cumpriram o determinado pelo decreto do governador, cortando 10% dos recursos destinados ao pagamento de cargos em comissão’’, afirmou Campêlo Filho, depois do encontro com o governador. O secretário ressaltou que o plano de contenção colocado em prática até o momento já alcançou alguns servidores efetivos que não gozam mais do efeito cascata gerado pelas gratificações, nem da possibilidade de acumular cargos no serviço público. ‘‘Isso trouxe economia de R$ 4 milhões’’, contabilizou.

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