Curitiba - O governador Jaime Lerner (PFL) convocou ontem, no início da noite, o candidato do PSDB ao governo, Beto Richa, e o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), para uma conversa reservada. A Folha apurou nos bastidores que o objetivo do encontro, no gabinete do governador no Palácio Iguaçu, era buscar uma fórmula para evitar principalmente a união do PSDB com o PMDB no Estado. Até o fechamento desta edição, o encontro não havia terminado e não tinha hora para acabar.
A assessoria do governador, que é adversário político do senador Roberto Requião, informou que a reunião trataria diretamente da estruturação da campanha de Beto. Lerner apóia oficialmente a candidatura do tucano, assim como os pefelistas que rejeitaram a indicação do deputado federal Rafael Greca, como candidato próprio do PFL ao governo. Outra razão que faz o governador apoiar o filho de José Richa é o compromisso assumido com o candidato a presidente do PSDB, senador José Serra, de lhe garatir palanque no Paraná durante as eleições.
O fortalecimento da candidatura ao governo do senador Alvaro Dias (PDT), que angariou, além do PTB, o apoio do PPB, também foi um dos itens em discussão. Lerner e Cassio estão preocupados com as especulações que rondam o PSDB e o PMDB nos últimos dias. Uma das hipóteses que circula no meio político coloca Requião como candidato à reeleição, ou seja ao Senado, na chapa de Beto. A outra, que põe o Palácio Iguaçu em pânico, dá a Beto a vice numa chapa encabeçada por Requião. Setores do PFL, em especial os dissidentes vinculados a Greca, também fariam parte desses arranjos, porém, nos dois casos em posições secundárias.
Lerner e Cassio tentavam ontem encontrar uma solução para o impasse, que agora conta também com a pressão de José Serra. Anteontem, o presidenciável ligou para o presidente estadual do PPB, deputado federal José Janene. Serra quer saber a postura do PPB no Estado, já que o partido não tem candidato à presidência. Janene disse que, apesar do apoio a Alvaro, o palanque do PPB está aberto a Serra.
Alvaro disse à Folha que não vê problema algum no apoio ao tucano. Ele explicou que o PPB não faz parte da Frente Trabalhista (PDT-PTB-PPS), que dá sustentação à candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PPS) à sucessão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). ‘‘No Estado, o PPB está liberado’’, disse Alvaro.

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