O governador Jaime Lerner (PFL) cobrou fidelidade dos deputados aliados e ameaçou com retaliações quem não repensar sua posição e continuar contra a venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Ontem, Lerner chegou a admitir a possibilidade de trocar os titulares do primeiro e do segundo escalão que tenham sido indicados por deputados ‘‘infiéis’’. ‘‘Hoje é momento em que as pessoas devem ser cristalinas. Quem está conosco, está conosco. Não vou admitir nenhuma falta de lealdade.’’
As reclamações maiores de Lerner foram contra o deputado Tony Garcia, líder do PPB na Assembléia, que apresentou documentos revelando transações com títulos comprados pela Copel por um preço maior do que o que poderia ser conseguido no mercado. ‘‘Eu vou fazer uma pergunta: vocês conhecem o Tony Garcia? Acho que a resposta do que eu acho desta denúncia está a풒, ironizou. ‘‘A minha avaliação dele é a pior possível.’’
Garcia devolveu as críticas de forma ainda mais contundente. ‘‘As acusações do governador soam como elogio para mim, principalmente neste momento em que ele está sendo considerado pela população o pior governador que o Paraná já teve.’’ E continuou: ‘‘Fui chamado de leviano. Pois quero dizer que sou leve e não faço as mutretas que esses gordos que estão no poder fazem. Não adianta me desqualificar.’’
Lerner disse ainda que não irá levar em conta o requerimento dos deputados pedindo a demissão do presidente da Copel, Ingo Hubert – que também é secretário da Fazenda. ‘‘O Ingo tem uma postura de competência e seriedade admirada dentro da equipe e pelo próprio governador. Ele fica nos dois cargos’’, destacou.
O deputado Nereu Moura, líder do PMDB, criticou o que chamou de ‘‘rápida mudança de opinião do governo’’.‘‘O Tony Garcia era considerado um ótimo deputado pelo Palácio Iguaçu enquanto atendia aos propósitos do governo. Agora que está contra a venda da Copel não presta mais?’’
O deputado Ricardo Chab (PTB) disse não estar preocupado. ‘‘Não me atinge. Não tenho nenhum benefício do governo.’’ Ele preferiu não polemizar. ‘‘Mas ontem (terça-feira) fiquei aqui mais de cinco horas e não consegui explicar no meu programa de rádio porque a Copel vai ser privatizada’’, reclamou, referindo-se à sabatina de Ingo, no plenário da Assembléia.
O líder do governo, Durval Amaral (PFL), ameaçou: ‘‘Cada um escolhe o seu lado e seria uma contradição manter benefícios aos que estão se colocando contra o governo.’’ Ele mantém a aposta de que a base contará com 32 deputados. Tradicionalmente eram 40.
Lerner confirmou ontem a possibilidade de fusão de secretarias para enxugamento da máquina estatal, mas negou a extinção de cinco das 22 pastas. ‘‘Não cogitei a extinção de secretarias. Queremos cortar gastos cada vez mais e isto será contínuo’’, avaliou. Ele não informou quando será feito o anúncio de cortes.
Entre as secretarias que poderão ser incorporadas está a do Emprego e Relações do Trabalho. O secretário José Carlos Gomes Carvalho disse não acreditar em extinção, mas admite a fusão. ‘‘Fundir acredito que possa, mas não conversei sobre isto com o governador.’’ Uma das suposições é a de que a pasta seja incorporada pela Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo.

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