Curitiba - O governador Jaime Lerner (PFL) espera o empenho e a dedicação de sua equipe para eleger Beto Richa (PSDB) ao governo do Estado e José Serra à presidência da República.
Durante reunião para a qual foram convocados secretários de Estado e comissionados (cagos de livre nomeação, normalmente por critérios políticos), na noite de anteontem, o governador declarou: ''quem não está com Serra e não está com Beto Richa não está comigo''.
A reunião, realizada no Canal da Música, prédio público em Curitiba, foi alvo de duras críticas por parte dos principais candidatos da oposição ao Palácio Iguaçu, que interpretaram a atitude de Lerner como uso da máquina para favorecer o candidato governista.
O PMDB, que tem o senador Roberto Requião como candidato ao governo, enviou oficial informando que ontem mesmo o departamento jurídico do partido fez uma comunicação ao procurador regional eleitoral, João Gualberto Garcez Ramos, ''denunciando o governador, partidos e candidatos que se beneficiaram da ilegalidade''.
Os advogados do PMDB argumentam que a lei veda aos agentes públicos condutas que possam prejudicar a igualdade de oportunidade entre candidatos nas eleições. O PMDB considerou ainda ilícito o uso de prédio público para a realização da reunião. Segundo a nota do PMDB, dezenas de servidores comissionados foram à sede estadual do partido, na Capital, denunciar a pressão do governador sobre os comissionados.
O senador Alvaro Dias (PDT), que tenta voltar ao Palácio Iguaçu, acredita que a reunião configura uso da máquina e abuso de autoridade. ''A Justiça Eleitoral não deve permitir isso, porque agride preceitos éticos. Espero que o governador evite que isso se repita'', protestou Alvaro. ''Temos que eliminar esse tipo de comportamento da política brasileira e paranaense'', completou o deputado federal Padre Roque Zimmermann, nome do PT ao governo.
A assessoria de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) informou que a reunião de Lerner com os comissionados não pode, necessariamente, ser enquadrada como abuso de autoridade. Segundo o tribunal, comportamentos assemelhados podem ser enquadrados como abuso. A legislação eleitoral (Lei 9.504/97 e lei complementar) proíbe o abuso de de autoridade.
Fonte da Folha informou ontem que seria o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, quem estaria orientando as direções das diversas secretarias a cobrar empenho dos comissionados lotados em cada pasta.
Campêlo negou a informação. Disse que não está pedindo envolvimento de ninguém na campanha. ''E vale lembrar que a legislação eleitoral permite ao funcionário público fazer campanha, desde que seja fora do horário de expediente'', afirmou o secretário.

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