Arquivo FolhaLerner desembarca do exterior amanhã, após férias de duas semanasO governador Jaime Lerner (PFL) mandou da África do Sul um recado para seus aliados: ninguém está autorizado a falar em nome do governo sobre secretariado ou reforma administrativa. A repreensão foi anunciada ontem à tarde, em Curitiba, pela assessoria do governador. Lerner ficou ‘‘furioso’’, revelou a assessoria, com as informações desencontradas de sua equipe econômica sobre que medidas administrativas devem ser tomadas pelo Paraná para enfrentar o ajuste fiscal preparado pelo governo federal, publicadas pelos jornais. E também não gostou nada da briga doméstica sobre se a sua postura deve ser técnica ou política na composição do novo secretariado.
Lerner desembarca do exterior amanhã à noite, depois de duas semanas de férias. Ele disse, por meio de sua assessoria, que quer tranquilidade para discutir as questões que vêm sendo levantadas e que todo e qualquer pacote de propostas, que venha a ser implantado para enfrentar a crise, passará pelo seu crivo. ‘‘Todos os secretários estão desautorizados a falar’’, disse um assessor. A irritação de Lerner deve surtir efeito imediato. Os secretários da Fazenda, Giovani Gionédis; do Planejamento, Miguel Salomão; da Administração, Reinhold Stephanes Junior; e do Governo, José Cid Campêlo Filho, tendem a evitar manifestações públicas nos próximos dias.
O confronto entre a ala do presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), que defende um secretariado político no segundo mandato de Lerner, e a do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), que considera neste momento a questão técnica como prioritária, não deve se diluir na repreensão pura e simples. O PTB e o PPB, partidos que deram sustentação política ao PFL do governador nas eleições de 4 de outubro, continuam avançando no loteamento das secretarias. Cada sigla já tem um quinhão a reclamar. O PPB cobra um acordo que teria sido firmado em junho deste ano e que garantiria ao partido duas pastas.
O PTB quer o mesmo espaço que o PFL, já que o número de deputados federais e estaduais apresentou um incremento, se comparado com o resultado de 1994. Os partidos se dividem quanto à proposta de fusão e extinção de secretarias, defendida por alguns setores do Executivo. Uma redução no número de pastas significaria uma diminuição no número de aliados a serem indicados para o segundo mandato. (L.D)

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