Kraw PenasSoluçõesLerner falou durante café da manhã a empresários: governador fez avaliação positiva dos três anos de sua administração‘‘Transformar’’ o Paraná num Estado industrial e ‘‘restituir’’ a imagem, hoje desgastada, dos pequenos trabalhadores rurais foram os principais desafios do governo do Estado, na avaliação do governador Jaime Lerner (PFL). Ele fez ontem, durante café da manhã promovido pela Associação dos Dirigentes de Venda do Brasil (ADVB), em Curitiba, balanço dos três anos de seu governo.
Emocionado, Lerner disse a empresários que, até sua posse, o Paraná ‘‘era o pior’’ dentre os estados da região sul, perdendo para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. ‘‘Sem estratégia, sem futuro, sem infra-estrutura e sem nada na área social. Eu me envergonhava do que via. A situação me angustiava’’, disse. Para ele, as gestões anteriores pecaram ao deixar o Estado tornar-se ‘‘dependente das decisões de fora’’.
O governador disse ainda que herdou o Banestado com problemas financeiros. A acusação de Lerner já havia sido adiantada pelo secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, durante sessão da Assembléia, na quinta-feira, quando foi aprovada proposta de saneamento do banco. Gionédis alega que Lerner encaminhou documento sigiloso ao Banco Central em 95 dando ciência da situação do banco, cuja parte podre (dívidas) chega a R$ 1,7 bilhão.
Boa parte do balanço feito ontem concentrou-se nos recentes acontecimentos envolvendo o bloqueio pelo Senado dos empréstimos externos requeridos pelo Paraná. ‘‘A raiva do senador (Roberto) Requião e a saliva dos irmãos (Álvaro e Osmar) Dias trabalharam para esta injustiça’’, discursou. Lerner assinou diante dos empresários portaria interministerial que garante, segundo ele, o repasse de recursos pelo Banco Mundial (Bird), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Overseas Economic Financial Cooperation (OEFC), do Japão.
O governador embarca hoje para os Estados Unidos e voltará só depois do Ano Novo. O governo ficará a cargo da vice, Emília Belinati, que retornou ontem do Japão (leia sobre esse assunto no caderno de Economia). Miguel Salomão, da Fazenda, deve acompanhar o governador ao Bird e BID. O retorno de Lerner, autorizado pela Assembléia, vence no dia 5 de janeiro. A ida a Tóquio, no Japão, para assinar contrato com o organismo financeiro está sendo programada para três dias depois, informou o governador durante a ‘retrospectiva’. ‘‘O bloqueio me fazia mal. A gente se sente como um jogador de futebol que não entrou em campo, mas que leva trombada no vestiário sem bola e sem juiz’’, comparou.
A sucessão de matérias desfavoráveis à gestão Lerner na imprensa nacional, colocando o Paraná como um Estado em insolvência, também foi alvo do discurso do governador. ‘‘Em 30 anos de vida pública eu nunca tive problema com a imprensa. Mas não é possível deixar uma coisa dessas assim. Percorri os grandes órgãos de imprensa esta semana e todos reconheceram que houve uma falha e que tudo será corrigido’’, assegurou. (L.D.)

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