Curitiba - O governador Jaime Lerner (PFL) e o deputado estadual Tony Garcia (PPB) fizeram as pazes. Engajado na oposição desde que o governo colocou o processo de privatização da Copel em pauta, Garcia voltou a compor a base de sustentação do governo na Assembléia Legislativa. De olho em uma vaga no Senado, o deputado, em tese, sai beneficiado. Sua candidatura contaria com o apoio político da bancada governista, integrada aproximadamente por 30 deputados. O governo também sai ganhando: neutraliza um adversário e avança nas costuras de apoio para as eleições de outubro. Lerner quer o PPB na aliança entre PFL e PSDB.
Garcia foi o anfitrião de um jantar em Curitiba, anteontem. O objetivo do encontro foi colocar ‘‘tudo em pratos limpos’’. Além de Lerner, estavam o chefe da Casa Civil, Guaraci Andrade; o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL); e o presidente do Tribunal de Contas, Rafael Iatauro. O jantar –que serviu salmão e vitela– selou uma conversa iniciada há cerca de um mês entre Lerner e Garcia.
‘‘Retomamos as conversas para entendimentos partidários’’, resumiu Garcia. ‘‘Quem vai me dar suporte (ao Senado) é o time de sempre’’, garantiu o deputado. Apesar do retorno à base, Garcia promete votar de forma independente no plenário. Segundo ele, acabou a ‘‘bronca’’ com a equipe do governo mas, se não concordar com algum projeto do governo, vai votar contra.
No ano passado, Garcia presidiu a CPI da Telefonia, que investigou denúncias de um suposto esquema de escutas telefônicas ilegais no Palácio Iguaçu. A CPI foi suspensa pelo Tribunal de Justiça, por desviar o foco das apurações. A comissão foi inicialmente criada para averiguar cobranças ilegais por parte das operadoras. As investigações acabaram trazendo um certo desgaste político ao governo.
O governador quer costurar uma aliança no Paraná nos mesmos moldes defendidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Lerner aposta em uma coligação entre PSDB e PFL. A avaliação do grupo lernerista é que a candidatura pefelista à presidência não decola, possibilitando a aliança com o PSDB. O pré-candidato tucano ao governo, o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa, pode encabeçar uma chapa composta com o PFL.

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