As últimas adesões ao governador Jaime Lerner (PFL) foram anunciadas ontem e totalizam 20% dos 84 prefeitos eleitos pelo PMDB em 1996. Os prefeitos de Rio Bonito do Iguaçu, Leonel Schmitt, e de Diamante do Sul, Luiz Koprovski, comprometeram-se a fazer campanha para Lerner. Na semana que vem o prefeito de Itambé, Mário Forastieri, deve se manifestar.
Lerner não tenta conquistar somente os prefeitos peemedebistas. Candidato à reeleição, o governador quer minar a base partidária que poderia trabalhar por seu concorrente. A ação lernerista se faz presente no PDT, partido coligado a Requião, que lançou o ex-deputado Nelton Friedrich candidato a vice-governador, e que nas eleições passadas elegeu 64 prefeitos. Lerner desligou-se do PDT em 1997 para filiar-se ao PFL e trouxe diversos prefeitos, vices e vereadores para a sua campanha.
Juntos, os 16 prefeitos do PMDB que já manifestaram adesão respondem por um colégio eleitoral de 182.141 eleitores. Os apoios mais representativos pró-reeleição estão no Sudoeste do Paraná: Guiomar Jesus Lopes, de Francisco Beltrão, e Jaime Guzzo, de Dois Vizinhos. Eles foram os primeiros a anunciar envolvimento na campanha de Lerner. A adesão de ambos não se estendeu aos vices, ambos do PT. Arni Hall, de Francisco Beltrão, e Ovídio Constantino, de Dois Vizinhos, fazem campanha para Requião.
Descontente com a ação ‘lernerista’, a oposição promete revidar. Requião, que além de candidato ao governo é presidente estadual do PMDB, disse ontem não ter dúvida de que os prefeitos de seu partido estão sendo coagidos a manifestar apoio a Lerner. ‘‘Todas as vezes que vou fazer campanha no interior, os prefeitos não estão nas cidades. Eles são chamados diariamente ao Palácio Iguaçu e forçados a manifestar apoio. Tem secretário soltando grana preta para garantir essas declarações de adesão’’, acusou.
Nelton Friedrich disse que o comando pedetista está em observação e que depois das eleições serão tomadas inúmeras medidas administrativas para acabar com as infidelidades. ‘‘É vergonhoso o que estão fazendo com os prefeitos. É coisa de político hermafrodita, que meio expediente é governador, meio expediente é candidato, e às vezes faz as duas coisas ao mesmo tempo’’, afirmou. Friedrich informou à Folha que existe um departamento no PDT que está promovendo uma sondagem para verificar qual a posição de cada um dos prefeitos pedetistas.

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