Arquivo FolhaÂngelo Vanhoni: resposta abafada pelas vozes do Coral do ParanáO governador Jaime Lerner (PFL) fez um balanço dos primeiros três anos de seu governo, ontem, durante a sessão de reabertura dos trabalhos na Assembléia Legislativa. Adotando um discurso mais político que o esperado, Lerner direcionou a ‘artilharia’ contra seus adversários. Defendeu a política de industrialização adotada pela sua equipe, prometeu punição tanto para os sem-terra como para os ruralistas que desrespeitarem seu plano de pacificação no campo e rebateu os adversários que, ao forçarem a quebra do sigilo do protocolo do governo com a montadora Renault, contribuíram, segundo ele, para o bloqueio no Senado dos empréstimos externos do Paraná.
O pronunciamento do governador teve reação imediata. Indignado com a bateria de ataques, e em nome da oposição, o deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT) aproveitou o fim do discurso para fazer um aparte e revidar as declarações do governador. Abafado pelas vozes do Coral do Paraná, que a pedido do presidente da Casa Aníbal Khury (PFL) executou imediatamente uma Ave-Maria, Vanhoni chamou o governador de ‘‘deselegante’’. O petista disse que muito antes dos senadores Osmar Dias e Roberto Requião, os deputados da oposição manifestaram interesse em conhecer o conteúdo do protocolo. ‘‘E nem por isso somos traidores do povo do Paraná como diz o senhor’’, tentou argumentar.
Em seu discurso, Lerner disse que revelar o contrato da Renault seria o mesmo que ‘‘numa guerra, entregar segredos militares para os adversários’’. Passado o mal-estar e recuperado da manifestação-surpresa do deputado de oposição, o governador, em entrevista aos jornalistas, disse que não se sentiu atingido com as declarações de Ângelo Vanhoni. ‘‘Como parlamentar de oposição, ele está fazendo o seu papel’’, reagiu o governador. ‘‘E isso não vai diminuir em nada o respeito que tenho por ele (deputado), desde que eu era prefeito e ele vereador de oposição’’, afirmou Lerner que, no seu discurso, fez questão de frisar que a política de industrialização - a vinda das montadoras - não atingiu setores como o da Agricultura do Estado.
Lerner citou os investimentos nas áreas da cafeicultura e algodão, e as metas para 98 na agricultura, entre elas a entrega de novas vilas rurais. O programa de industrialização, garantiu, irá continuar. O governador classificou ainda como ‘‘uma imposição iníqua dos mais fortes contra os mais fracos’’ a manutenção do privilégio de se cobrar na origem o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

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