Lerner ataca acordo de Álvaro com PT
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terça-feira, 28 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
O governador Jaime Lerner criticou ontem o acordo feito pelo presidente da Telepar e ex-governador Álvaro Dias (PSDB) com a liderança petista do Paraná, formalizado segunda-feira, segundo o qual eles se comprometem a costurar uma frente única contra o governo em 98. O Álvaro conseguiu promover a primeira aliança (sic) do País contra o presidente Fernando Henrique, declarou Lerner pela manhã, em cerimônia no Palácio Iguaçu.
Lerner diz que o processo de aproximação dos partidos de oposição contrários à sua recondução não o preocupa. Vou continuar tocando o meu governo do mesmo jeito, inaugurando obras. Vou fazer isso o tempo todo e nenhuma aliança será problema para mim, assegura. O governador, que no início de setembro declarava-se favorável à uma costura política com o presidente da Telepar, deu sinais ontem de que a aproximação tornou-se inviável.
Se o PSDB quer compor uma chapa de oposição ao presidente é um problema do PSDB do Paraná, afirmou. Ele garante que não pretende levar a questão pessoalmente ao conhecimento do presidente. A mídia fará isso por mim. Eu não preciso fazer mais nada, ironizou. Antes de dar palestra no Seminário mulheres no exercício de funções públicas, à tarde, o governador voltou a colocar o acordo PT-PSDB como fator de discórdia entre Álvaro e o presidente.
Minutos depois, foi a vez do presidente da Telepar participar do encontro. Álvaro disse aos jornalistas, minutos antes, que já esperava tal tipo de avaliação do governador. O pior é que ele (Lerner) não ironizou, falou sério mesmo. Ele pensa assim. É a tendência das pessoas que julgam as outras pelo seu próprio comportamento, afirmou. O ex-governador não tem dúvidas de que o governo quer tirar proveito para distorcer a conversa com o PT anteontem, que se restringe à disputa eleitoral no Paraná.
Álvaro disse que o presidente pode ficar tranquilo, porque ele, Álvaro, não agirá em 98 como Lerner agiu em 94 com relação ao presidente nacional do PDT, ex-governador do Rio Leonel Brizola. O dirigente pedetista era à epoca candidato do partido à Presidência e teve de se conformar com a postura do governador, que dava apoio extra-oficial a seu adversário, FHC. Apoiarei o presidente de forma aberta e resoluta. Se ele (FHC) decidir vir ao Paraná, terá o palanque do PSDB. Assim como o Luiz Inácio Lula da Silva, o do PT, avaliou.
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), aliado de Lerner, disse ontem que a aproximação PSDB-PT é água com vinho sem açúcar. Segundo ele, não dá água, nem vinho porque as siglas são ideologicamente separadas e nacionalmente divididas. Khury reforça a tese, dizendo que a composição que se esboça é esdrúxula e serve de ensaio para um espetáculo.
O deputado admite, no entanto, que a oposição está trabalhando rápido. Ele defende que o governador também tente o quanto antes fechar o chapão que vai concorrer em 98. O Jaime (Lerner) não é rápido no gatilho. Nós somos mais profissionais, declarou. Khury acha que, fechados os nomes para vice (Hermas Brandão) e Senado (Emília Belinati), a chapa de Lerner vence com vantagem e por antecipação.


