O governador Jaime Lerner criticou ontem o acordo feito pelo presidente da Telepar e ex-governador Álvaro Dias (PSDB) com a liderança petista do Paraná, formalizado segunda-feira, segundo o qual eles se comprometem a costurar uma frente única contra o governo em 98. ‘‘O Álvaro conseguiu promover a primeira aliança (sic) do País contra o presidente Fernando Henrique’’, declarou Lerner pela manhã, em cerimônia no Palácio Iguaçu.
Lerner diz que o processo de aproximação dos partidos de oposição contrários à sua recondução não o preocupa. ‘‘Vou continuar tocando o meu governo do mesmo jeito, inaugurando obras. Vou fazer isso o tempo todo e nenhuma aliança será problema para mim’’, assegura. O governador, que no início de setembro declarava-se favorável à uma costura política com o presidente da Telepar, deu sinais ontem de que a aproximação tornou-se inviável.
‘‘Se o PSDB quer compor uma chapa de oposição ao presidente é um problema do PSDB do Paranᒒ, afirmou. Ele garante que não pretende levar a questão pessoalmente ao conhecimento do presidente. ‘‘A mídia fará isso por mim. Eu não preciso fazer mais nada’’, ironizou. Antes de dar palestra no ‘‘Seminário mulheres no exercício de funções públicas’’, à tarde, o governador voltou a colocar o acordo PT-PSDB como fator de discórdia entre Álvaro e o presidente.
Minutos depois, foi a vez do presidente da Telepar participar do encontro. Álvaro disse aos jornalistas, minutos antes, que já esperava tal tipo de avaliação do governador. ‘‘O pior é que ele (Lerner) não ironizou, falou sério mesmo. Ele pensa assim. É a tendência das pessoas que julgam as outras pelo seu próprio comportamento’’, afirmou. O ex-governador não tem dúvidas de que o governo quer tirar proveito para distorcer a conversa com o PT anteontem, que se restringe à disputa eleitoral no Paraná.
Álvaro disse que o presidente ‘‘pode ficar tranquilo’’, porque ele, Álvaro, não agirá em 98 como Lerner agiu em 94 com relação ao presidente nacional do PDT, ex-governador do Rio Leonel Brizola. O dirigente pedetista era à epoca candidato do partido à Presidência e teve de se conformar com a postura do governador, que dava apoio extra-oficial a seu adversário, FHC. ‘‘Apoiarei o presidente de forma aberta e resoluta. Se ele (FHC) decidir vir ao Paraná, terá o palanque do PSDB. Assim como o Luiz Inácio Lula da Silva, o do PT’’, avaliou.
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), aliado de Lerner, disse ontem que a aproximação PSDB-PT ‘‘é água com vinho sem açúcar’’. Segundo ele, ‘‘não dá água, nem vinho porque as siglas são ideologicamente separadas e nacionalmente divididas’’. Khury reforça a tese, dizendo que a composição que se esboça ‘‘é esdrúxula e serve de ensaio para um espetáculo’’.
O deputado admite, no entanto, que a oposição está trabalhando rápido. Ele defende que o governador também tente o quanto antes fechar o ‘chapão’ que vai concorrer em 98. ‘‘O Jaime (Lerner) não é rápido no gatilho. Nós somos mais profissionais’’, declarou. Khury acha que, fechados os nomes para vice (Hermas Brandão) e Senado (Emília Belinati), a chapa de Lerner ‘‘vence com vantagem e por antecipação’’.

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