O governador Jaime Lerner (PFL) resolveu antecipar sua viagem a Brasília e está desde ontem à noite acertando os detalhes finais do acordo com o Banco Central, que prevê a privatização do Banestado num prazo de um ano. Lerner formaliza hoje o acordo com o governo federal, que, em troca, se compromete a emprestar R$ 2,6 bilhões ao Tesouro do Estado. O governador pretende ainda liquidar, junto ao Ministério da Fazenda, a rolagem da dívida mobiliária do Paraná, calculada em R$ 475 milhões.
Lerner fez ontem suas primeiras declarações sobre o acordo. ‘‘Tudo o que podia ser feito para o Banestado, nós fizemos, mas agora não podemos perder esta oportunidade histórica de resolver a situação de uma vez por todas, tirando das costas do contribuinte paranaense este fardo pesado em que se transformou o banco’’, afirmou por meio de sua assessoria de imprensa. ‘‘A solução encontrada é madura, responsável e preserva o patrimônio dos paranaenses, que não podem ficar financiando uma instituição estatal incompatível com a realidade econômica atual, em que até mesmo os bancos privados estão buscando a fusão com outros, para garantir a sua sobrevivência.’
O governador afirmou ainda que a privatização do banco já era esperada desde 94, antes de ele assumir o Palácio Iguaçu. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, que conduziu o processo de negociação com o BC, diz que na época a situação do Banestado já era preocupante. Só no sistema interbancário, disse Gionédis, o governo do Paraná se socorria diariamente de até R$ 800 milhões para poder fechar o seu caixa. ‘‘Nós não podíamos denunciar esta situação sob o risco de provocar corrida ao banco e um desfecho trágico para o Banestado’’, afirmou o secretário.
Gionédis voltou a bombardear a proposta da oposição, de transferir as ações da Copel e da Sanepar para o banco. ‘‘Não faria sentido deixar de investir em obras e bem-estar social os recursos apurados com os ativos do governo para aplicá-los numa atividade da qual todos os governos, ao redor do mundo, estão se retirando’’, ponderou. Os argumentos do governo convenceram até o presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), que meses atrás defendia a manutenção do Banestado como banco estadual. ‘‘Sou contra a privatização, mas estou convencido de que não há outra alternativa’’, justificou Khury.
O deputado disse ter recebido informações de que o banco perde R$ 2 milhões ao dia, só para pagar os juros dos empréstimos interbancários. ‘‘O BC não quer mais bancos estaduais. E o prejuízo do Banestado ao mês era de cerca de R$ 60 milhões’’, observou. Para Khury, o banco sempre foi usado para fins políticos. ‘‘Desde que eu fui eleito pela primeira vez, em 1954, quando o Bento (Munhoz da Rocha) era governador, o Banestado estava para falir. Houve até uma intervenção’’, relembrou. ‘‘A culpa não é de um governo em específico, é de todos nós políticos’’, afirmou.

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