Arquivo FolhaJogoLerner: ‘Dois senadores que trabalham contra o desenvolvimento do PR’O governo do Paraná fez mais uma investida para a liberação dos US$ 486 milhões em empréstimos externos bloqueados pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, em meados desse ano. O governador Jaime Lerner encontrou-se na última quarta-feira com o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, e com o vice-presidente Marco Maciel para pedir empenho político na liberação dos recursos.
Lerner aproveitou o almoço para colocar-se à disposição de ACM e da cúpula do partido para uma reunião com os senadores do PFL. O governo quer expor as razões em defesa da liberação do dinheiro e manifestar-se a respeito do sigilo dos protocolos com as montadoras, cuja quebra é cobrada pelos senadores do Paraná Osmar Dias (PSDB) e Roberto Requião (PMDB).
ACM comprometeu-se a agendar uma reunião para a semana que vem, que pode ser estendida aos senadores integrantes da CAE. O líder do PFL na Câmara, Inocêncio de Oliveira, o presidente nacional do PFL, José Jorge, e parte da bancada federal do partido (Luciano Pizzatto, Paulo Cordeiro, Werner Wanderer, Waldomiro Meger, Alexandre Ceranto e Afonso Camargo) participaram do almoço.
‘‘Eu sempre me dispus a entregar os protocolos ao Senado. O que eu insisto é que isso seja feito juntamente com os outros Estados’’, disse ontem o governador. ‘‘Coloquei na reunião que existem dois senadores (Requião e Osmar) que trabalham contra o desenvolvimento do Estado’’, emendou. Lerner não confirmou a informação de que levaria para ACM, na próxima terça-feira, cópia dos protocolos. ‘‘Não tem segredo algum. A essência dos acordos já foi colocada para o povo do Paranᒒ, afirmou.
O senador Osmar Dias, acusado pelo governo de ser responsável pelo bloqueio dos empréstimos, disse ontem que a questão ‘‘não é política, mas técnica’’. ‘‘O governador demonstra mais uma vez a sua desinformação. A CAE retirou hoje pela manhã (ontem) pedidos de empréstimos do Ceará e do Rio Grande do Sul. Temos a convicção de que liberações nesse momento poderiam provocar impacto sobre o pacote fiscal’’, avalia.
A decisão da CAE, explica o senador, é respaldada pelo decreto 2.368, de 10 de novembro, no qual o presidente Fernando Henrique diz que ‘‘fica suspensa até 31 de dezembro de 98 a concessão de garantias da União em operações de crédito externo de qualquer natureza, excetuadas as operações relacionadas com o sistema financeiro de seguro de crédito à exportação’’.

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