Curitiba - A 40 dias do término de sua administração, o governador Jaime Lerner (PFL) aposta todas as suas fichas na inauguração do NovoMuseu (leia mais sobre o assunto na Folha 2), hoje à noite em Curitiba, para recuperar parte da popularidade perdida nos oito anos em que ficou no poder. A menina dos olhos do governador monopolizou os ânimos de Lerner e de seu primeiro escalão nas últimas semanas.
A expectativa entre os políticos que gravitam em torno de Lerner é que a obra, vizinha ao Palácio Iguaçu, a sede do governo, consolide o Paraná no circuito cultural internacional e sirva como um marco da administração do pefelista. Até o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que contou com o apoio de Lerner nas eleições de 1994 e 1998 e que também se despede do poder no dia 31 de dezembro, foi convidado para a inauguração.
A aposta em um grandioso projeto cultural expõe a paixão pessoal e os interesses do governador, arquiteto por formação. Serve ainda para resgatar a imagem de intelectual e urbanista esquecida em seu governo construída durante anos e retomada agora com a sua eleição como presidente da União Internacional dos Arquitetos (UIA), com sede em Paris, França.
A tentativa fracassada de venda da Copel, no ano passado, e uma série de episódios com o Movimento Sem-Terra e professsores desgastaram bastante a imagem de Lerner, bombardeado por críticas de movimentos populares instigados pela oposição. Pesquisa de opinião encomendada ao Ibope pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC), durante o processo eleitoral, revelou que 20% dos entrevistados consideraram a administração Lerner péssima (39% regular e 24% boa). Esse desempenho teve reflexos nas eleições. O governador não conseguiu levar seu candidato, Beto Richa (PSDB), ao segundo turno.
Apesar da imponência e da rapidez com que foi construído, o NovoMuseu não deverá ser a última obra de pompa inaugurada por Jaime Lerner. De acordo com a assessoria de imprensa do governador, o Parque da Ciência um complexo de pavilhões no Parque Castello Branco, em Pinhais, na região metropolitana deve ser sua última entrega, em meados de dezembro. Alguns trechos de estradas podem também contar com a presença de Lerner, no mês que vem.
O governador eleito Roberto Requião (PMDB) foi procurado pela Folha para comentar a obra que vai herdar e como pretende conduzir o funcionamento do megamuseu, mas não retornou as ligações feitas para seu celular e seu gabinete em Brasília, onde cumpre mandato de senador. De acordo com sua assessoria de imprensa em Curitiba, Requião não quer falar sobre o museu porque ainda não recebeu informações detalhadas da construção.

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