Albari RosaControleGiovani Gionédis ao desembarcar ontem em Curitiba: ‘‘não haverá demissão em massa’’O governador Jaime Lerner (PFL) assina terça-feira, com o Banco Central, em Brasília, acordo para o saneamento do Banestado, que contempla a privatização da instituição, no prazo de um ano, e a rolagem de R$ 475 milhões de dívida mobiliária junto ao Ministério da Fazenda. O governo federal se compromete a injetar R$ 2,6 bilhões para salvar o Banco, cujo rombo declarado, hoje, é de R$ 1,7 bilhão. O processo de saneamento será conduzido pelo governo estadual, o que afasta a possibilidade de uma intervenção do BC na instituição.
O governo do Paraná tem 30 anos para devolver os R$ 2,6 bilhões colocados à disposição, com juros de 6% ao ano. As mesmas regras valem para a dívida mobiliária. O acordo foi a solução encontrada pelo governo para evitar uma interferência do BC em ano eleitoral. Paralelamente ao processo de privatização, a equipe de Lerner vai criar uma agência de fomento, com uma carteira inicial de R$ 100 milhões. De acordo com nota oficial distribuída no início da noite de ontem pelo Palácio Iguaçu, o dinheiro ficará à disposição das empresas paranaenses, que poderão contar com um repasse extra de R$ 500 milhões via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, não conseguiu evitar a inclusão do Banestado ao processo de privatização, a principal exigência feita pelo BC. O secretário desembarcou em Curitiba por volta das 18 horas de ontem, depois de três dias de intensa negociação, anunciando que a medida não significará fechamento maciço de agências e demissão de funcionários. ‘‘Não faremos nada mais que cumprir um calendário que já desenvolvemos desde 95’’, disse. O secretário garantiu ainda que o Banco Del Paraná, instituição financeira do Banestado no Paraguai, continua, por enquanto, nas mãos do governo estadual.
‘‘O BC tem uma visão muito forte de que os bancos privados são mais rentáveis e têm uma operacionalização mais rápida que a dos estatais’’, declarou. Pela manhã, ele chegou a considerar a proposta de federalização do Banco, nos mesmos moldes de uma instituição financeira mantida pelo governo estadual da Bahia.
O teor do acordo fechado ontem pelo secretário, em nome do governador Jaime Lerner, não é o mesmo do protocolo firmado em dezembro do ano passado. Isso significa que uma nova mensagem de lei deverá passar pelo crivo da Assembléia Legislativa para o acordo ter validade. O presidente da Casa, deputado Aníbal Khury (PFL), estava no aeroporto do Bacacheri à espera de Gionédis. Segundo o deputado, o governador assina o acordo com o BC e, ‘‘mais tarde’’, os deputados enviam a lei aprovada.
De acordo com a lei aprovada em dezembro, o governo do Paraná assumiu uma dívida de R$ 575 milhões - de responsabilidade do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) - junto à União, com prazo de pagamento de 30 anos. O restante, R$ 1,1 bilhão, seria dividido entre os governos estadual e federal. E o governo Lerner colocaria ainda 9% das ações da Copel como lastro para garantir a operação, assumindo R$ 260 milhões em passivos (débitos) do Banestado junto ao Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

mockup