Lerner anuncia privatização do Banestado
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sexta-feira, 27 de março de 1998
Leandro Donatti 
Albari RosaControleGiovani Gionédis ao desembarcar ontem em Curitiba: não haverá demissão em massaO governador Jaime Lerner (PFL) assina terça-feira, com o Banco Central, em Brasília, acordo para o saneamento do Banestado, que contempla a privatização da instituição, no prazo de um ano, e a rolagem de R$ 475 milhões de dívida mobiliária junto ao Ministério da Fazenda. O governo federal se compromete a injetar R$ 2,6 bilhões para salvar o Banco, cujo rombo declarado, hoje, é de R$ 1,7 bilhão. O processo de saneamento será conduzido pelo governo estadual, o que afasta a possibilidade de uma intervenção do BC na instituição.
O governo do Paraná tem 30 anos para devolver os R$ 2,6 bilhões colocados à disposição, com juros de 6% ao ano. As mesmas regras valem para a dívida mobiliária. O acordo foi a solução encontrada pelo governo para evitar uma interferência do BC em ano eleitoral. Paralelamente ao processo de privatização, a equipe de Lerner vai criar uma agência de fomento, com uma carteira inicial de R$ 100 milhões. De acordo com nota oficial distribuída no início da noite de ontem pelo Palácio Iguaçu, o dinheiro ficará à disposição das empresas paranaenses, que poderão contar com um repasse extra de R$ 500 milhões via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, não conseguiu evitar a inclusão do Banestado ao processo de privatização, a principal exigência feita pelo BC. O secretário desembarcou em Curitiba por volta das 18 horas de ontem, depois de três dias de intensa negociação, anunciando que a medida não significará fechamento maciço de agências e demissão de funcionários. Não faremos nada mais que cumprir um calendário que já desenvolvemos desde 95, disse. O secretário garantiu ainda que o Banco Del Paraná, instituição financeira do Banestado no Paraguai, continua, por enquanto, nas mãos do governo estadual.
O BC tem uma visão muito forte de que os bancos privados são mais rentáveis e têm uma operacionalização mais rápida que a dos estatais, declarou. Pela manhã, ele chegou a considerar a proposta de federalização do Banco, nos mesmos moldes de uma instituição financeira mantida pelo governo estadual da Bahia.
O teor do acordo fechado ontem pelo secretário, em nome do governador Jaime Lerner, não é o mesmo do protocolo firmado em dezembro do ano passado. Isso significa que uma nova mensagem de lei deverá passar pelo crivo da Assembléia Legislativa para o acordo ter validade. O presidente da Casa, deputado Aníbal Khury (PFL), estava no aeroporto do Bacacheri à espera de Gionédis. Segundo o deputado, o governador assina o acordo com o BC e, mais tarde, os deputados enviam a lei aprovada.
De acordo com a lei aprovada em dezembro, o governo do Paraná assumiu uma dívida de R$ 575 milhões - de responsabilidade do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) - junto à União, com prazo de pagamento de 30 anos. O restante, R$ 1,1 bilhão, seria dividido entre os governos estadual e federal. E o governo Lerner colocaria ainda 9% das ações da Copel como lastro para garantir a operação, assumindo R$ 260 milhões em passivos (débitos) do Banestado junto ao Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.


