Lerner anuncia concurso para melhorar imagem
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quinta-feira, 29 de agosto de 2002
Denise Angelo Leandro Donatti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A quatro meses de entregar o cargo, o governador Jaime Lerner (PFL), trabalha para reconstruir a sua imagem, desgastada politicamente. A última tentativa de reverter a baixa popularidade, confirmada pela nova pesquisa Ibope, foi o anúncio de realização de um concurso público para 13,6 mil novos professores da rede pública. Uma medida simpática na tentativa de fazer crescer os 26% de bom e ótimo e reverter os 39% de regular e 31% de ruim e péssimo conferidos ao seu governo.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) informou ontem que a legislação eleitoral (Lei 9.504/97) proíbe a realização de concurso em período eleitoral. Porém, a lei não deixa claro o que se entende por realização de concurso, que pode ser considerado como todo o processo, desde a publicação do edital, ou somente a aplicação da prova. A legislação também proíbe a nomeação de servidores nesse período. Portanto, para não desrespeitar a lei, o concurso terá que ficar para depois do segundo turno, a dois meses do fim do governo Lerner.
O presidente da APP-Sindicato, professor José Lemos, diz que a realização de concurso público é uma reivindicação antiga da categoria. Por isso o anúncio foi visto com bons olhos pela categoria. ''Os professores consideram importante a realização do concurso, mesmo sabendo que por trás da decisão pode estar o interesse de tirar proveito político e beneficiar o candidato do governo'', diz o sindicalista.
Ele lembra ainda que o governador Jaime Lerner (PFL) passou os dois mandatos se negando a abrir concurso. Agora anuncia a abertura, para contratação no mandato seguinte. ''Além dele não aumentar os gastos no seu governo, ainda vai arrecadar porque certamente será cobrada uma taxa de inscrição dos professores que fizerem o concurso'', critica Lemos.
As 13,6 mil vagas que estão sendo oferecidas, no entanto, não significam aumento do número de professores em atividade no Estado. Na verdade, o concurso servirá mais para promover a mudança de regime jurídico dos professores que hoje já trabalham por contratos temporários (CLT). Quem não é concursado pode ser dispensado a qualquer momento.
E mesmo assim, as 13,6 mil vagas não serão suficientes para promover a mudança de regime jurídico de todos os professores do Estado hoje. Para que todos os professores passassem a integrar o quadro de concursados do Estado seriam necessárias 20 mil vagas, segundo Lemos.
Já para alcançar um número ideal de professores na rede estadual, Lemos calcula que seria preciso contratar outros cinco mil professores. Estes sim, seriam sangue novo nas salas de aula. Eles ocupariam funções de orientação e supervisão escolar, secretaria, além de dar aulas de Química, Física e Filosofia.


