Lerner aguarda acordo com Álvaro Dias
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 1998
Leandro Donatti 
Mauro Frasson/Jornal do EstadoAo trabalhoLerner na reabertura dos trabalhos da Assembléia: costura para afastar Álvaro da disputa O governador Jaime Lerner atribuiu ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) a responsabilidade pelas costuras de um acordo político entre o seu partido, o PFL, e o PSDB do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, no Paraná. Neste pacto cuidadosamente articulado pelo Palácio do Planalto, Lerner ficaria com a exclusividade de ser o candidato do presidente Fernando Henrique ao governo do Estado. E em troca, convenceria os partidos aliados, PTB e PFL, a abrir mão da disputa pelo Senado, que teria Álvaro não mais como postulante ao Palácio Iguaçu, mas candidato a senador, independente e preferencial.
É um assunto que não depende mais da minha decisão. É um problema que compete mais à campanha do presidente que a nós, declarou, quando novamente questionado sobre a possibilidade de um acerto entre ele e o ex-governador. As especulações acerca do projeto do governo federal, que tenta estancar as divergências entre o PFL e o PSDB no Estado, voltaram à tona depois da viagem de Lerner a Brasília, na quinta-feira. O governador conversou com o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e com o embaixador do Brasil em Portugal e presidente de honra do PFL nacional, Jorge Bornhausen. O teor da conversa que tratou da sucessão ficou sob sigilo.
Eu sempre estive aberto. Sou um homem de diálogo. Agora, essas costuras fazem parte de um processo que não depende mais do governador. As condições têm de ser abertas para isso, reforçou. Lerner deu as declarações logo após a apresentação do balanço de seu governo, na Assembléia Legislativa. Ele admitiu durante a entrevista que, quando se filiou ao PFL, estava implícito que no momento que passasse a integrar qualquer um dos partidos da base de sustentação do presidente no Estado o PSDB não poderia lançar uma candidatura paralela contra a sua reeleição.
Essa não é a primeira vez que Lerner deixa em suspense as suas intenções políticas com o PSDB. No dia em que assinou ficha de filiação no PFL - depois da recusa da cúpula tucana em admiti-lo nos seus quadros -, em setembro de 97, o governador declarou-se aberto para conversas. Disse estar disposto a repetir a mesma aliança que o elegeu governador em 94, e que contava com o PSDB. Ontem, entretanto, o discurso foi menos empolgado. As condições hoje são outras. Prefiro não ficar detalhando um assunto que já perdeu atualidade. Questões que não dependem mais da minha decisão, desconversou.


