Curitiba Para manter a política da boa vizinhança, o governador Jaime Lerner (PFL) promete telefonar para o governador eleito, na segunda-feira pela manhã, e acertar os detalhes da transição entre o seu governo e o de seu sucessor. Seja quem for o novo governador, Lerner terá que conversar com um desafeto político. Tanto Alvaro Dias (PDT) como Roberto Requião (PMDB) fizeram oposição a Lerner na última década. Alvaro disputou o governo contra Lerner em 1994 e Requião na eleição de 1998. Lerner já se referiu aos dois, num evento político e num momento de raiva, como ''tias velhas''.
Lerner pretende reunir a equipe de transição, composta inicialmente pelos secretários da Fazenda, Ingo Hubert; da Administração, Ricardo Smijtink; e do Governo, José Cid Campêlo Filho; e agora acrescida de mais um integrante, o chefe da Casa Civil, Guaraci Andrade. ''Quero assegurar que da minha parte, espero também que da parte do eleito, teremos uma transição tranquila. Daremos um exemplo de maturidade política'', disse Lerner anteontem.
O pefelista quer colocar toda a estrutura do governo à disposição da equipe apontada pelo futuro governador para a transição. ''Tudo o que eu desejo é que, qualquer que seja o próximo governador, ele seja bem sucedido. Não tenho preferências. Por isso resolvi não me pronunciar no segundo turno. Vou manter minha neutralidade'', prometeu.
Segundo Campêlo Filho, o secretariado deve se reunir com o governador até hoje para discutir os detalhes da transição. ''Vamos abrir as portas do Palácio Iguaçu, para facilitar. O objetivo é mostrar o andamento dos projetos, a estrutura dos programas, a parte política e administrativa'', explicou. O secretário acrescentou que essa atitude vai ajudar o sucessor a não ''patinar'' quando assumir a chefia do Estado, em janeiro do ano que vem.
Para não contradizer o discurso de neutralidade assumido no segundo turno, Lerner não tem comentado a postura de outras lideranças do PFL na campanha, que optaram por candidatura adversária. ''Eu respeito todas as posições assumidas pelos meus companheiros de partido. Não me intrometo nas decisões deles. Eles também respeitam o que eu penso'', disse, na companhia do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), eleitor de Alvaro. Lerner também não quis falar sobre a adesão do presidente do partido, João Elísio Ferraz de Campos, à candidatura de Requião.(Com Maria Duarte)

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