O governador Jaime Lerner (PFL) sinalizou ontem que poderá demitir o procurador-geral do Estado, Joel Coimbra, nos próximos dias. Lerner deixou transparecer que ainda não conseguiu digerir bem as denúncias de que Coimbra mantinha uma funcionária da prefeitura de Maringá na folha de pagamento do governo do Estado. ‘‘Uma situação como esta é muito delicada’’, admitiu o governador, que pela primeira vez falou sobre o assunto, desde que o escândalo estourou, há duas semanas. Coimbra foi denunciado pelo Ministério Público por improbidade administrativa.
O posicionamento da Associação dos Procuradores do Estado do Paraná (Apep) deve pesar na decisão do governador. No sábado, a Apep publicou em jornais um comunicado pedindo a substituição de Coimbra por um funcionário de carreira. A nota cita o caso da funcionária Flávia Pereira com duplo emprego, o que vai contra as regras do funcionalismo público estadual.
Lerner enfatizou que não há uma decisão tomada sobre o assunto. ‘‘Estamos considerando todos os fatos e fazendo uma reflexão, porque há uma discussão na Justiça. É uma situação que merece análise’’, afirmou, após uma cerimônia no Palácio Iguaçu, onde foram anunciados investimentos industriais para o Noroeste paranaense.
As declarações de Lerner foram entendidas por alguns participantes como indício de que nem tudo vai bem no relacionamento com o procurador-geral do Estado. Em situações anteriores, quando se cogitava ou quando havia especulação sobre a saída de um secretário, Lerner era sempre enfático e descartava qualquer hipótese. Sequer admitia falar sobre o assunto. Ontem, ele respondeu a todas as perguntas de jornalistas.
Joel Coimbra disse ontem que o problema com a funcionária foi resolvido. ‘‘Considero o caso encerrado e resolvido’’, afirmou Coimbra. O chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, declarou na semana passada que Lerner não considerava a hipótese de demitir Coimbra.

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