Leandro Donatti
De Curitiba
O governador paranaense Jaime Lerner (PFL) reconheceu ontem que o seu governo se distanciou do povo e que o afastamento lhe custou amargos 5º e 7º lugares em popularidade nas recentes pesquisas de opinião realizadas pelos institutos Vox Populi e Datafolha, respectivamente. ‘‘Passei durante todo esse tempo numa situação muito boa em termos de pesquisas, vocês acompanharam. Quando há uma diminuição (em popularidade), a gente tem que encarar isso com humildade. Procurar ver o que é necessário fazer para estar cada vez mais próximo do povo. É isso o que vou fazer agora.’’
O ‘‘mea-culpa’’ do governador foi feito ontem à tarde, em Curitiba, durante a solenidade de posse do conselheiro Quiélse Crisóstomo, que foi reconduzido à presidência do Tribunal de Contas do Paraná. As declarações do governador quebraram um silêncio de quase duas semanas. O Palácio Iguaçu, nesse período, não quis fazer comentários sobre o assunto, que causou tantos dissabores e discussões exaustivas dos governistas que vêem em Lerner um candidato em potencial à sucessão do presidente Fernando Henrique, em 2002.
Como parte do plano de resgate de sua imagem – para entre outras coisas conter o crescimento do senador Antonio Carlos Magalhães e da governadora do Maranhão Roseana Sarney, dentro do PFL – Lerner realiza hoje uma reunião de secretariado, no ‘‘Chapéu Pensador’’, em Curitiba.
‘‘Passamos por um momento difícil, mas tenho indícios de que vamos avançar. Vamos começar a anunciar muita coisa positiva. Não posso adiantar ainda, mas o povo paranaense saberá. O ano 2000 será marcado com coisas muito positivas’’, declarou Lerner.
Além de alavancar sua administração, Lerner pretende contar ainda com a ajuda política do PFL. O presidente regional da sigla distribuiu nota oficial ontem assinalando que o governador do Paraná, mesmo com a popularidade em queda, continua sendo uma opção viável à Presidência do Brasil em 2002.
‘‘O nome de Lerner não está esquecido, mesmo porque as eleições presidenciais serão assunto para os próximos dois anos’’, afirmou o dirigente. João Elísio passou a manhã de anteontem reunido com o governador afinando o discurso.
Para agradar Lerner, o presidente do PFL chegou a cutucar a governadora do Maranhão. Segundo ele, o cenário que coloca Roseana Sarney ao lado de nomes como Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), ‘‘não é definitivo’’. João Elísio atribuiu o bom desempenho da adversária interna de Lerner ao trabalho que ela vem realizando em seu Estado e também ao sobrenome Sarney.
‘‘A Roseana tem força até mesmo no nome’’, declarou ele. João Elísio sinalizou que o tom do discurso do PFL, a partir de agora, será de que Lerner não é carta fora do baralho, como indicam as pesquisas. ‘‘O partido sempre teve várias opções de candidatos como o senador Antonio Carlos Magalhães, presidente do Senado, e o vice-presidente, Marco Maciel. E vai continuar assim porque reunimos no PFL grandes expoentes da política nacional’’, assinalou o presidente pefelista.

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