Curitiba - O governador Jaime Lerner (PFL) afirmou ontem, pela primeira vez, que seu nome pode ser considerado no páreo por uma vaga ao Senado. ‘‘Coloco minha candidatura ao Senado como disponível, no sentido de ajudar’’, declarou o governador, minutos antes da sessão solene de abertura dos trabalhos da Assembléia Legislativa. Lerner frisou, porém, que ‘‘há possibilidade de alteração’’, ou seja, sua candidatura não é definitiva.
As negociações nos partidos ainda sendo discutidas e os nomes dos candidatos não foram definidos. O quadro das eleições só estará delineado depois das convenções, em cerca de três meses. ‘‘Não faço questão da minha candidatura ao Senado. Abro mão se for para facilitar as alianças’’, disse.
A declaração do governador surpreendeu aliados e oposição, que especulam qual será o futuro político do governador. A tendência apontada pelo governador tem sido de terminar o mandato, em dezembro deste ano. Lerner tem dito que seu perfil é de Executivo, e não de Legislativo.
O vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa –candidato à sucessão pelo PSDB–, ficou surpreso. ‘‘Causa estranheza, pois até então ouvimos dizer que ele terminaria o mandato.’’ Beto acrescentou que o PFL não deve se opor ao nome do governador.
A coligação governista pode disputar duas vagas ao Senado. Uma delas já tem pré-candidato, o deputado estadual Tony Garcia (PPB). ‘‘Quem indica as vagas são os partidos. Cada um correrá na sua raia’’, comentou Garcia.
O ex-chefe da Casa Civil de Lerner Alceni Guerra se coloca como pré-candidato a deputado federal ou senador, pelo PFL. ‘‘Vou fazer campanha para deputado, mas com um olho no Senado’’, resumiu. Segundo Guerra, a vaga ao Senado depende diretamente do governador. ‘‘Qualquer que seja o candidato do governo (ao Senado), enfrentará dois ícones: os senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PDT)’’, observou Guerra.
O partido do governador ainda não tem um candidato de consenso para manter o grupo político na chefia do Palácio Iguaçu. O deputado federal Rafael Greca (PFL) se coloca como pré-candidato ao governo, mas o PFL pode compor com o PSDB, que saiu na dianteira e lançou Beto Richa. ‘‘Não existe frente ou fundo, existe densidade eleitoral, experiência política. Há todo um processo de composição política, de conjuntura. A candidatura do Beto não me caça os direitos políticos’’, disparou Greca.

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