Lerner adia anúncio do novo secretário da Agricultura
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quarta-feira, 14 de janeiro de 1998
Leandro Donatti Curitiba 
Um almoço com o presidente do diretório regional do PTB, secretário da Indústria e do Comércio, Nelson Justus, e com o presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), no Chapéu Pensador - o gabinete do governo na subestação da Copel -, levou o governador Jaime Lerner (PFL) a adiar o anúncio do novo secretário da Agricultura, prometido para ontem. Lerner ficou em dúvida diante das sugestões encaminhadas pelo PTB. E a sua escolha oscilava ontem entre o presidente da Codapar, Antonio Leonel Polloni, e o ex-presidente da Copavel Ibraim Fayad.
Tive uma agenda muito apertada e tenho em mente dois nomes para escolher, resumiu ontem o governador, depois de uma solenidade no final da tarde, no Palácio Iguaçu. Na última segunda-feira, Lerner pendia para Polloni que, antes de ingressar no PTB, integrava a ala do PSDB ligada ao presidente da Itaipu, Euclides Scalco. O nome de Fayad era visto com resistência, por ser uma indicação pessoal do ex-secretário Hermas Brandão (PTB). Mas na conversa de ontem, Justus teria reduzido o veto.
O governador garantiu a Justus e aos jornalistas, no final da tarde, que a decisão será tomada nas próximas horas e que a escolha ficará entre os dois nomes do PTB. Para Khury, não faz diferença qual dos indicados Lerner escolher.
Mas talvez faça diferença para o diretório regional norte do PFL, que também briga pela vaga. O presidente do diretório, Alberto Baccarim (representando filiados de 35 municípios), enviou uma carta ao governador pedindo a indicação do atual presidente do diretório do PFL de Londrina, Ywao Miyamoto, para o cargo. Miyamoto é engenheiro agrônomo e presidente da Abrasem - Associação Brasileira de Produtores de Sementes e Mudas. A carta está acompanhada de um longo currículo.
Para Miyamoto, seu nome extrapola os limites técnicos. Temos ótimo trânsito político em Brasília, gaba-se. Ele diz que o PTB precisa dividir os cargos. Eles já têm a secretaria da Indústria e Comércio. Segundo ele, seu nome é motivo de consenso e lideranças começam a recolher assinaturas dos deputados estaduais e federais para dar mais peso à indicação, avalizada, segundo ele, pelo presidente estadual do PFL, José Carlos Gomes de Carvalho e pelos deputados Antônio Ueno e Luiz Carlos Alborghetti. Esses dois (Ueno e Alborghetti) têm mando político aqui no norte, diz. Mas agora é uma decisão política do governador, admite ele.
Outro motivo que emperrou o anúncio de Lerner foi o pedido de licença do secretário da Justiça, Edson Vidal, que deixa o governo amanhã para concorrer ao comando do Ministério Público do Paraná. A disputa será em fevereiro e Vidal já está em campanha para ser o novo procurador geral de Justiça, no lugar de Olympio de Sá Sotto Maior Neto. O governador diz que até sexta-feira escolhe novo substituto de Vidal. Um dos lembrados foi o ouvidor geral João Elias de Oliveira. (Colaborou Patrícia Zanin)


