Lerner acredita em aliança com o PTB
Governador diz que atritos entre José Eduardo e Fernando Henrique são ‘‘de momento’’ e não afetarão política no PR
Patrícia Zanin
O governador Jaime Lerner (PFL) disse ontem em Arapongas ter certeza de que os atritos entre presidente nacional do PTB, senador José Eduardo Andrade Vieira (PR), e o presidente Fernando Henrique Cardoso são ‘‘de momento’’ e ambos ‘‘podem vir a se recompor’’. ‘‘Em política a gente nunca pode falar nada definitivo’’, disse o governador.
Lerner reconheceu não ser a pessoa mais indicada para comentar sobre ‘‘um partido que não é o meu’’, mas disse esperar que ‘‘tudo se acerte’’. O governador não teme que os desdobramentos das declarações de José Eduardo à imprensa possam prejudicar a aliança que deve ser selada no Estado entre o PFL e o PTB. ‘‘Aqui, no Paraná, não atrapalha’’, garantiu. Ele acredita que o PTB irá somar com a coligação.
Jaime Lerner voltou a ser questionado sobre nomes para o Senado que a aliança indicaria. Ele disse que existem ‘‘nomes excepcionais’’ e citou o ex-governador Paulo Pimentel e o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, ambos de seu partido, além da vice-governadora Emília Belinati (PTB). ‘‘O Paulo Pimentel é um grande nome, a Emília é uma grande companheira e o Rafael é uma grande liderança. Mas os partidos que vão compor a aliança é que definirão a chapa majoritária’’, desconversou. Questionado sobre o nome de sua preferência, ele brincou. ‘‘Por todos. E por todos os jornalistas aqui presentes’’, brincou.
Lerner não perdeu a chance de dar o troco ao ex-governador Roberto Requião (PMDB) e pré-candidato ao governo do Estado sobre as críticas dele à cobrança de pedágio nas rodovias federais. ‘‘Quem não faz reclama e critica. Agora eu tenho um estudo do Requião propondo a cobrança de pedágio nas estradas estaduais. Veja a falta de visão que esse cidadão tinha e agora quer criticar. E só vai criticar a vida toda porque não tem a menor credibilidade’’, atacou. O governador voltou a repetir que Requião ‘‘traiu o Paraná e os agricultores’’ ao relembrar o bloqueio dos empréstimos do Estado no Senado por dois anos. ‘‘Um sujeito que inventou um assassino para se eleger (caso Ferreirinha) e sempre se elegeu em cima de fraudes é a própria fraude. Ele tem a leviandade de sempre’’, atacou. A acidez das críticas mútuas entre Lerner e Requião dão o tom da disputa eleitoral de 4 de outubro. O ex-governador Álvaro Dias (PSDB), que definirá em duas semanas o dilema entre ser ou não ser candidato ao governo, também promete engrossar o coro da ‘discórdia’. Álvaro tem repetido que o Estado precisa passar por um ‘‘saneamento completo’’.

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