O governador Jaime Lerner confirmou ontem, em Ponta Grossa, que vai trocar a diretoria do Banestado nos próximos dias. Ele disse que o momento do banco exige um grupo que esteja mais envolvido com os assuntos financeiros e com o Banco Central. ‘‘A colocação de uma nova equipe é em função da privatização. Vou aceitar a demissão de toda a diretoria’’, disse. O presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid (Neco Garcia), colocou o cargo à disposição na segunda-feira.
‘‘Agradeço, publicamente, o trabalho do Neco, que possibilitou ao banco chegar a este processo de saneamento’’, afirmou Lerner. O governador não informou quando pretende anunciar a substituição da presidência do Banestado, mas há a possibilidade de que isto ocorra até a próxima terça-feira, quando vai divulgar a composição da nova equipe de governo. Mas a data pode ser alterada, segundo informações que surgiram ontem, no Palácio Iguaçu.
A conversa entre Neco Garcia e Jaime Lerner ocorreu de forma tranquila, no Palácio Iguaçu, apesar da pressão que havia entre muitos membros do governo para que o presidente do banco deixasse o cargo. Neco Garcia disse que pediu para sair do banco de livre e espontânea vontade. ‘‘O cargo que ocupo exige muita competência e agora entramos num período crítico em que é necessário ter um profundo conhecimento dos procedimentos do Banco Central. Pela mão do presidente do banco vão passar títulos do governo federal e isso é de muita responsabilidade’’, disse Neco Garcia, ao avaliar que não teria o perfil do presidente ideal.
Na reunião com o governador, o presidente do banco chegou a brincar e disse que não teria estrutura para ficar. ‘‘Eu disse a ele que só entendo do arroz com feijão e não do estrogonofe’’, ironizou. Neco Garcia afirmou ainda que seu compromisso com o governo do Estado termina no dia 31 deste mês e por isso entendeu ser ‘‘ético’’ colocar o cargo à disposição. Ele negou ter sido pressionado por setores do governo do Estado ou mesmo do Banco Central.
A atitude de Neco Garcia já começou a repercutir entre os demais diretores do Banestado. O diretor de Controle, Osvaldo Batata, está demissionário desde ontem pela manhã. A decisão foi comunicada numa reunião de diretoria. ‘‘Disse aos demais que seria ético da parte deles também colocar o cargo à disposição’’, afirmou.
Mesmo que os diretores se mantenham no cargo, eles serão remanejados. O projeto do Banco Central é manter apenas seis diretorias de um total de 13 que funcionam hoje. A mudança vai ser homologada na próxima reunião do Conselho Administrativo.

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