Lerner abrirá contrato com a Renault
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
Warren Nabuco/Folha de LondrinaPai corujaLerner abraça a filha Andréa: Quem não ficaria orgulhoso?O governador Jaime Lerner (PDT) disse ontem, em Londrina, que aceita revelar o protocolo de intenções com a montadora francesa Renault ao Senado desde que os outros estados também apresentem os seus. Se for tudo transparente, eu aceito, declarou. A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado condicionou a análise de pedidos de empréstimos do Paraná à apresentação do protocolo com a Renault.
Lerner vinha se recusando a mostrar os documentos, alegando que as exigências só haviam sido feitas ao Paraná. Mas, anteontem, a CAE criou uma subcomissão para avaliar e aprovar todos os contratos firmados pelos governos estaduais com as montadoras. Além do Paraná, terão de passar pela peneira da subcomissão os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia.
Lerner esteve ontem em Londrina para dar palestra sobre as potencialidades do Estado a embaixadores, cônsules e conselheiros de 18 países que visitaram o município (leia sobre a visita na página 4 do Caderno Economia). Ele defendeu o Estado como muito bem gerido e disse que não pode aceitar uma comparação com Alagoas, como tem repetido o senador Roberto Requião (PMDB). Ele é um notório mentiroso e não pode ser levado a sério, criticou.
Não é à toa que ele tem em sua companhia um senador como o Gilberto Miranda, emendou. Miranda (PFL-AM) é conhecido no Senado por suas ameaças e mudanças repentinas de opinião. Em março, ele ameaçou de morte o colega Vilson Kleinubing (PFL-SC) e, no ano passado, deu parecer favorável ao empréstimo para o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), mas voltou atrás e passou a atacar o projeto.
Lerner nega que o Estado esteja com problemas na capacidade de endividamento e argumenta que os empréstimos obtidos pelo Paraná junto a organismos internacionais foram todos aprovados por bancos como o Mundial, BID, BIRD e Banco Central. Até o presidente da Caixa Econômica, Sérgio Cutolo, declarou em Curitiba que o Paraná é um dos dois estados com capacidade de endividamento. Ele diz que o governo compromete 77% da receita e não 92% a 96% com a folha de pagamento como pregam Requião e o senador Osmar Dias (PSDB).
Lerner reconheceu que houve incentivos à montadora Renault, mas não quis dar detalhes da operação. Ele argumenta que o Estado irá retardar a cobrança do ICMS para garantir futuros investimentos. São investimentos estratégicos que estão mudando o perfil do Paraná, justificou.
Reeleição Apesar de estar intensificando as visitas ao interior do Estado, Lerner nega que seja resultado da proximidade da reeleição. É o momento da colheita, de inaugurar obras. É claro que pode ajudar, mas é independente, garantiu. Sobre seu relacionamento com o prefeito Antonio Belinati (PDT), ele disse que o que passou, passou. Acho que vivemos um novo momento. Ele luta para trazer investimentos para Londrina e isso nos aproxima. Toda vez que houver boas iniciativas de Londrina como essa (visita da comitiva internacional) eu vou dar força. Também espero apoio dele para as boas iniciativas do Estado.
Lerner voltaria ontem para Curitiba, mas o mau tempo impediu seu retorno, que acabou transferido para hoje. Ele aproveitou a permanência em Londrina para assistir ao espetáculo de dança Antônio Caído, uma das atrações do Festival Internacional de Londrina, do qual a filha dele, Andréa, é uma das protagonistas. Ela dedicou a vida à dança e vem obtendo boas críticas. Até o jornal The New York Times e Village Voice elogiaram. Quem não ficaria orgulhoso?, disse o pai coruja.


