Curitiba - O deputado estadual Cleiton Kielse (PEN) acusou a Mesa Executiva da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná e outros parlamentares de serem ''coniventes com as concessionárias de pedágio'', impedindo investigações sobre os contratos e aditivos firmados com as empresas que exploram comercialmente as rodovias paranaenses. O depoimento foi dado ontem, durante a sessão plenária, após o político ter protocolado as denúncias na Polícia Federal.
Na conta de Kielse, nos últimos 14 anos as seis concessionárias que operam no Paraná teriam arrecadado mais de R$ 20 bilhões e investido somente 10% desse valor em melhorias no sistema viário, como a duplicação de rodovias. Ele também acusa as empresas de ''sonegação fiscal e possível envio de dinheiro para o exterior'', pois os balanços anuais apresentariam valores menores que os obtidos pelo deputado estadual na sua investigação particular. A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) limitou-se a dizer que o político está equivocado, por nota enviada à imprensa.
Kielse concentrou-se em atacar a Mesa Executiva. Disse que o 1º secretário, Plauto Miró (DEM), teria ligações familiares com os empresários do setor e que o presidente da AL, Valdir Rossoni (PSDB), teria impedido a instalação da CPI dos Pedágios, em outubro do ano passado, baseado em parecer do procurador-geral da Assembleia, Luiz Carlos Caldas, irmão de funcionária da Ecovia. ''A aberração é muito grande'', disse Kielse, pois Maria Luiza Caldas também é servidora pública de carreira, lotada na AL.
Rossoni disse que a funcionária está afastada da AL desde fevereiro de 2011, quando pediu licença sem remuneração para trabalhar em empresa de publicidade que presta serviços à concessionária Ecovia. ''Não há irregularidade'', afirmou, acusando Kielse de escolher a data justamente por ser véspera da eleição da Mesa Diretora, em que o tucano é candidato à reeleição. Rossoni pediu ao presidente do Conselho de Ética, Edson Praczyk (PRB) que apure o exposto por Kielse, punindo-o se não houver provas das acusações.
O deputado Ney Leprevost (PSD), acusado de receber dinheiro das concessionárias para retirar sua assinatura do pedido de instalação da CPI dos Pedágios, foi mais duro. ''Peço a cassação do mandato do Kielse por quebra de decoro parlamentar. Da minha parte, vou processá-lo civil e criminalmente pelas calúnias que ele disse sobre a minha pessoa'', esbravejou. Para a imprensa, Leprevost chamou o colega de ''bandido'' e ''pistoleiro''. A sessão teve que ser interrompida várias vezes, em decorrência da troca de ofensas entre os deputados.
Sobrou também para o líder do governo na AL, Ademar Traiano (PSDB), que foi relator de uma CPI sobre o pedágio em 2003. ''Rossoni e Traiano foram membros dessa CPI, que virou chacota pois nem relatório tem nessa Casa'', disse Kielse, sobre o suposto desaparecimento do documento dos arquivos da instituição. ''São acusações levianas. Kielse quer amedrontar os parlamentares'', rebateu Traiano.

Mesa Diretora

Até a troca de farpas em plenário, a eleição da Mesa Diretora da AL, hoje, era tida como tranquila pelos parlamentares. Rossoni permaneceria na presidência, com Artagão Júnior (PMDB), Douglas Fabrício (PPS) e Nelson Luersen (PDT) nas vice-presidências. Plauto Miró seria reconduzido à primeira secretaria, com Ademir Bier (PMDB), Gilson de Souza (PSC), Fábio Camargo (PTB) e Gilberto Ribeiro (PSB) nesta ordem distribuídos pelas demais secretarias.

mockup