Leonardo Boff critica uso da religião nas eleições
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Fábio Galão<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - O teólogo Leonardo Boff criticou ontem o uso da religião nessas eleições. Boff participou ontem de uma reunião de cristãos que apóiam a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff. Antes do encontro, que seria realizado à noite na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato), Boff conversou com jornalistas.
''Acho lamentável que a religião tenha sido instrumentalizada em favor de um partido. A religião é algo que une. Quando ela se torna partidária, ela divide. Foi o que ocorreu nesta eleição, especialmente por parte daqueles grupos fundamentalistas, que se acham os donos da verdade'', disse Boff. Membros de igrejas cristãs recomendaram a fiéis para que não votassem em Dilma, em razão de uma declaração favorável à descriminalização do aborto feita pela candidata no passado.
''Não foi a Dilma que colocou (o tema religião nas eleições). Foi o PSDB, porque não conseguiu apresentar um projeto alternativo'', criticou o teólogo. ''O objetivo foi confundir (o eleitor) na discussão. Não se trata de fazer um plebiscito sobre o aborto, e sim de uma campanha que discute o futuro do Brasil. A Dilma foi acusada de ser assassina de criancinhas.''
Boff argumentou que o governo Lula fez uma ''revolução, no sentido de fazer transformações estruturais que atendam as necessidades básicas de um povo'', e defendeu a continuidade desse modelo através da eleição de Dilma.
''Neste segundo turno, está em jogo um enfrentamento de dois projetos de Brasil. Queremos aquele das elites que dominaram o País por 500 anos, ou queremos um governo que coloca no eixo a dimensão republicana, investindo em áreas carentes? Trata-se de preservar o que foi conquistado e avançar ainda mais'', apontou.


