A atuação das bancadas coorporativas na votação das reformas constitucionais ajudou a fragmentar as lideranças políticas no Congresso. Defendendo os mais diversos interesses, na base do ‘‘é dando que se recebe’’ os parlamentares vinculados a essas bancadas pressionaram o governo por benefícios setoriais em troca de votos, sendo que um grande número de congressistas atua em mais de uma bancada suprapartidária.
Algumas dessas bancadas operam informalmente e outras de forma organizada, possuindo até regimento próprio. Segundo levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), existem 15 bancadas coorporativas no Congresso. As maiores são as que defendem os interesses da Microempresa, com 264 parlamentares, a Sucroalcooleira (224) e a do Cooperativismo (212). Também atuantes, mas de menor expressão numérica, aparecem a bancada dos evangélicos, com 35 congressitas, a bancada Sindical, que reune 38 parlamentares eleitos por sindicatos de trabalhadores do setor público e privado e as 41 integrantes da bancada Feminina, que atua em bloco quando o tema em debate ou votação se refere aos interesses e objetivos do movimento feminista.
A bancada Ruralista é uma das mais antigas e mais ruidosas do Congresso. Está atuando formalmente desde 1995, ano em que o forte lobby dos proprietários rurais forçou o governo a renegociar as dívidas dos agricultores. Atualmente, a bancada agrega 153 deputados e 24 senadores, que precisam ter vínculo com a atividade rural para se inscrever no grupo.
As bancadas corporativas que se sairam melhor nas negociações com o governo usaram uma estratégia de múltipla ação. Enquanto um dos parlamentares do grupo ‘‘trabalhava’’ os meios de comunicação para expressar o descontentamento da bancada, de preferência jornais de grande circulação e emissoras de altos índices de audiência, outro negociava com o governo e um terceiro tratava de organizar a atuação da bancada nas votações de interesse do governo no plenário. As atuações mais visíveis dessas bancadas ocorreram durante as votações das reformas administrativa e da Previdência, das prorrogações do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e da CPMF e no curso do processo de aprovação da emenda cosntitucional da reeleição. (N.B)

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