'Leilão prova que o pedágio no PR é abusivo'
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Faltando menos de dois meses para um novo pedido de aumento das tarifas por parte das concessionárias, o Governo Requião (PMDB) aproveitou os preços mais baixos estipulados no leilão de anteontem para voltar a abrir fogo contra as tarifas praticadas pelas empresas que atuam no Estado há quase dez anos, desde a gestão Jaime Lerner (PSB). Todo ano, em dezembro, as concessionárias têm o direito - previsto nos contratos - de aplicar reajuste, calculado com base em uma cesta de índices da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Os futuros aumentos precisam passar pelo crivo do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que sistematicamente nega os reajustes, mas isso é depois contestado na Justiça pelas empresas. Em entrevista à FOLHA ontem, o secretário de Estado dos Transportes, Rogério Tizzot, adiantou que eventuais novos aumentos serão negados pelo DER, mais uma vez.
Atualmente, a Ecovia, por exemplo, cobra quase onze reais para quem vai de Curitiba a Paranaguá - uma viagem de aproximadamente cem quilômetros. É por essa praça que passam os caminhões que levam a produção agrícola para o Porto de Paranaguá.
''As propostas apresentadas nos leilões do pedágio ocorridos na terça-feira comprovaram, mais uma vez, que as tarifas cobradas pelas concessionárias que operam no Paraná são abusivas e estão fora da realidade do País'', protestou Tizzot. ''É uma questão matemática'', emendou.
''A tarifa mais baixa cobrada hoje no Paraná é de R$ 4,30. A mais alta chega a R$ 10,90. Ou seja, o valor mais baixo cobrado aqui ainda está muito distante da tarifa mais alta apresentada no leilão'', frisou o secretário.
Na avaliação de Tizzot, a margem de lucro das concessionárias ''é muito grande e há bastante gordura tarifária para queimar''.
Comparando as distâncias entre Curitiba-Litoral do Estado e Curitiba-Florianópolis, Tizzot destacou que, para viajar uma distância três vezes maior, o motorista vai pagar a metade do que gastaria indo ao Litoral do Paraná.
Apesar do discurso do governo estadual em defesa de tarifas baixas para o pedágio, o preço apresentado pela Copel - que perdeu a disputa pelo lote 7 de rodovias federais para o grupo espanhol OHL - foi o sexto menor. A participação da empresa de energia seria até uma forma de forçar preços menores.
A Copel disputou com outras 16 empresas o trecho Curitiba-Florianópolis (SC), de 380 quilômetros. A OHL fez uma proposta de R$ 1,028 por praça e o preço máximo para esta rodovia era de R$ 2,754. A empresa paranaense entrou sozinha no leilão através da Copel Empreendimentos e ofereceu uma proposta de R$ 1,950.
O chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, disse que ''agora, mais do que nunca, as tarifas precisam baixar''. ''O momento econômico é outro'', argumentou Iatauro.
Ao longo da batalha judicial com as seis concessionárias do pedágio que começaram a operar no governo Lerner, o governo Requião - que se elegeu com o mote de que o pedágio tinha que baixar ou acabar - chegou a cogitar a implementação de pedágios mais baratos, controlados pelo Estado, mas recuou. A briga continua nos tribunais.


